Projeto Rondon marcou desenvolvimento de Três Lagoas e teve liderança histórica de Irman

Criado em 1971 em Três Lagoas, o Projeto Rondon teve papel fundamental no desenvolvimento do município ao longo de quase duas décadas. A iniciativa foi coordenada por vários anos pelo advogado e militar aposentado Irman Ferraz Corrêa, já falecido, que deixou um legado importante de reivindicações e conquistas para a cidade.

Nomeado pelo major Duncan, então comandante do 1º do 4º RC Moto do Exército, Irman esteve à frente do projeto até o encerramento das atividades locais, em 1989. Durante esse período, articulou diversas demandas que posteriormente se tornaram realidade e contribuíram diretamente para o crescimento de Três Lagoas.

Entre as principais conquistas estão a construção do anel rodoviário da BR-262, a implantação de uma unidade integrada de segurança — onde atualmente funciona o presídio feminino —, a construção do terminal rodoviário, além da instalação de uma unidade do extinto Funrural no município.

Também avançaram durante o período a ampliação da rede de energia elétrica, a abertura de estradas municipais, a construção de um matadouro de bovinos e a criação da Secretaria Municipal de Agropecuária, fortalecendo principalmente a infraestrutura e o setor produtivo local.

Sob responsabilidade do Ministério do Interior, o Projeto Rondon foi criado oficialmente em 1967, com o objetivo de promover ações de integração nacional e desenvolvimento social por meio da participação de universitários em comunidades do interior do país.

Após anos desativado, o programa foi relançado em 19 de janeiro de 2005, por sugestão da União Nacional dos Estudantes (UNE), passando a ser coordenado pelo Ministério da Defesa.

Enchente de 1980 em Três Lagoas
Na foto acima, equipe do Projeto Rondon atua nas enchentes de 1982 e 1983 no interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul que, somadas ao colapso de reservatórios, forçaram a Usina de Jupiá a abrir suas comportas, causando grandes inundações abaixo da represa.

As grandes cheias impactaram a região de Três Lagoas e o Rio Paraná no início da década de 80 não foram causadas apenas pelo volume de chuvas local.

O desastre foi agravado por um fator técnico e estrutural grave ocorrido no estado de São Paulo e chegou de forma abrupta ao lago da Usina Hidrelétrica de Jupiá, em Três Lagoas obrigando a abertura das comportas da usina, alagando a região de Jupiá, que foi completamente alagada forçando moradores a deixarem suas casas.

João Maria Vicente

Foto – Arquivo pessoal