A participação de cristãos evangélicos em festas juninas — ou a adaptação da tradição brasileira para o formato “gospel” dentro dos templos — voltou a gerar debate. Questionado sobre o tema, o pastor Paulo Sérgio, líder da Igreja Mover do Espírito Santo em Água Clara (MS), demonstrou rejeição absoluta à prática, classificando-a como uma contaminação espiritual.
”Eu, como pastor, não faço e não recomendo que a igreja promova festas juninas gospel. Estaríamos trazendo as coisas do mundo para dentro da casa de Deus”, disparou o líder religioso.
A restrição do pastor estende-se à sua própria família e a eventos considerados seculares (laicos), como celebrações escolares. “Minhas filhas nunca participaram e nunca participarão de festas juninas”, cravou.
A base bíblica contra a tradição
Para justificar seu posicionamento, Paulo Sérgio recorre diretamente às Escrituras Sagradas, lembrando que a origem da festividade está atrelada à veneração de figuras do catolicismo. “As festas juninas homenageiam santos católicos: Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. A Bíblia é muito clara em 1ª João 5: ‘Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!’“, pontuou.
O veto do pastor vai além da presença física e alcança também a culinária típica do período. Segundo ele, consumir as guloseimas tradicionais da época equivale a compactuar com a idolatria.
”Não é aconselhável comer as comidas típicas dessa tradição. Não seria agradável a Deus nos alimentarmos de algo que foi oferecido a outros deuses”, alertou o pastor, finalizando sua linha de raciocínio com outra citação bíblica famosa: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém” (1 Coríntios 6:12).
João Maria Vicente
Foto – Arquivo pessoal

