Foto: Divulgação
Toda família empresária enfrenta, mais cedo ou mais tarde, o mesmo desafio: os herdeiros estão prontos para assumir? Na maioria das vezes a resposta é não, e não por falta de talento ou vontade, mas por falta de um espaço seguro para errar antes de decidir por milhões.
É aqui que o family office cumpre uma função que raramente recebe a atenção que merece. Ele é o guardião do patrimônio financeiro da família e, quando bem estruturado, é também o primeiro ambiente de formação prática da próxima geração de líderes, um lugar no qual os jovens da família podem aprender governança, alocação de capital e gestão de risco antes de colocar a mão em uma empresa operacional que emprega centenas ou milhares de pessoas.
A tentação natural é colocar o herdeiro direto na operação. Seja em um estágio no comercial, uma cadeira na diretoria ou em um projeto estratégico de peso. O problema é que a empresa operacional não perdoa erros de aprendizado. Um cliente não espera a curva de maturidade do futuro sócio, e um concorrente não dá desconto porque o gestor está no primeiro ano de cargo. O family office opera em outra régua. Suas decisões têm consequências reais, mas dentro de um perímetro que a própria família controla e pode calibrar. É o ambiente ideal para ter reflexo antes de ter responsabilidade plena.
É ali que se aprende, na prática, o que significa decidir com processo e não por impulso, participando de comitês, prestando contas, seguindo políticas formais em vez de intuição pessoal. É ali também que se desenvolve a alfabetização financeira mais honesta que existe, a de entender por que se aposta em determinado ativo e não em outro, ponderando retorno contra risco com o próprio patrimônio da família em jogo. E é ali, sentindo na pele que uma decisão mal calibrada pode comprometer o legado dos avós, que se forma um julgamento que nenhuma simulação em sala de aula reproduz.
Dito isso, é preciso cuidado para que esse espaço não vire acomodação. O risco de o family office se transformar num cargo confortável para quem não conseguiu ou não quis entrar na operação é real e mina a credibilidade do próprio family office diante dos executivos não familiares. O modelo mais saudável costuma ter contornos claros: um período determinado de passagem, metas de aprendizado explícitas, avaliação por terceiros independentes e um plano definido de transição para a operação, ou, quando fizer sentido, a permanência no braço patrimonial como carreira legítima, não como refúgio.
Há ainda um efeito colateral pouco discutido e bastante valioso: quando o próximo gestor da família chega à operação já tendo demonstrado disciplina e resultado num ambiente de regras claras, sua legitimidade diante do time profissional aumenta. A confiança se constrói antes da posse do cargo, não depois.
Se sua família ainda trata o family office apenas como um escritório de retaguarda para cuidar de investimentos, talvez esteja desperdiçando o ativo mais estratégico que ele pode oferecer. Trata-se de um campo de treinamento real para quem um dia vai decidir sobre o futuro do negócio principal.
A pergunta que fica é simples: sua próxima geração está aprendendo a decidir ou está apenas esperando a vez de decidir?
Carlos Donzelli
Head Family Office Magalu e conselheiro do Magalu
Informações para a Imprensa:
Fonte Assessoria de Comunicação
Paulo Viarti – [email protected]
Ricardo Carvalho – [email protected]
(16) 98118-9333
Continue sempre bem informado acessando nossos portais:
-
Jornal Dia Dia –
Sua fonte confiável para as melhores notícias e artigos úteis. Fique por dentro dos acontecimentos mais importantes, dicas práticas e conteúdos de qualidade. -
Jornal Brasil Regional (JBR) –
O pulso do país em tempo real. Notícias nacionais, regionais e internacionais com ética e credibilidade. -
Castilho Notícias (News) –
O seu diário local com cobertura de Castilho e Região (SP). Jornalismo com credibilidade. -
Casa e Jardim –
Dicas exclusivas sobre decoração, jardinagem, arquitetura, DIY, reformas e muito mais. Tendências, soluções práticas e ideias criativas para todos os estilos e orçamentos. -
B10 Brasil –
As principais notícias, análises e insights sobre negócios, economia e soberania nacional. Conectando o Brasil ao mundo com inteligência e estratégia.

