Pela primeira vez, uma fêmea de tatu-canastra grávida foi registrada em uma área de conservação monitorada em Mato Grosso do Sul. A descoberta inédita foi feita pelo Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), dentro de uma área da Suzano, durante ações do projeto Canastras e Eucaliptos.
O animal, uma fêmea adulta com 37 quilos e 1,52 metro de comprimento, teve a gestação confirmada por meio de exame de ultrassom. É o primeiro caso identificado entre indivíduos monitorados pelo projeto, considerado um marco para a conservação da espécie.
Segundo a gerente de sustentabilidade da Suzano, Beatriz Távora, o registro indica que práticas adequadas de manejo em áreas produtivas e de preservação podem favorecer a biodiversidade. A toca da fêmea foi localizada em meio a uma plantação de eucalipto, evidenciando a capacidade de adaptação da espécie.

Com idade estimada em mais de nove anos, a tatu-canastra apresenta indícios de já ter se reproduzido anteriormente, informação relevante para pesquisas sobre o comportamento reprodutivo da espécie em ambientes que combinam cultivo e vegetação nativa.
Após a identificação, o animal passou por avaliação veterinária e recebeu um transmissor de GPS, permitindo o monitoramento de seus deslocamentos. Uma câmera também foi instalada próxima à toca para acompanhamento remoto e coleta de dados.
A espécie, conhecida cientificamente como Priodontes maximus, é considerada vulnerável e tem hábitos discretos, o que torna registros como esse raros e valiosos para a ciência.
O projeto Canastras e Eucaliptos, iniciado em 2024, reúne ações contínuas de monitoramento da fauna, mapeamento de áreas e uso de armadilhas fotográficas. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre a presença do tatu-canastra em paisagens do Cerrado sul-mato-grossense e apoiar estratégias de conservação.
De acordo com o biólogo Gabriel Massocato, do programa de conservação da espécie, o registro reforça que o tatu-canastra consegue utilizar áreas produtivas desde que exista conexão com habitats naturais preservados. A constatação contribui para orientar práticas que conciliem produção e preservação ambiental.
Além do tatu-canastra, o projeto já registrou outras espécies nativas nas áreas monitoradas, como queixadas, catetos, antas, tamanduás, iraras e onças-pardas — evidenciando a diversidade da fauna na região e a importância de iniciativas integradas de conservação.
João Maria Vicente, com informações da Assessoria de Comunicação
Foto – Divulgação

