Nos efervescentes anos 1990, as grandes articulações políticas nem sempre dependiam de gabinetes luxuosos ou plenários formais. Muitas vezes, o destino de partidos e coligações era traçado na simplicidade de uma mesa de bar. Foi exatamente esse o cenário de um ato marcante para o antigo PFL (Partido da Frente Liberal) em Três Lagoas — legenda que mais tarde viria a se chamar Democratas (DEM) e que, hoje, após fundir-se ao PSL, integra as fileiras do União Brasil.
O encontro em questão aconteceu em um tradicional bar localizado na Rua João Carrato, bem na esquina da Escola Fernando Corrêa. Conduzido sob a liderança e presidência do advogado Luiz Carlos Areco, então comandante do diretório municipal, o evento reuniu nomes que ajudariam a moldar a história política da região e do estado nas décadas seguintes.
Naquela data, a principal estrela da legenda no Mato Grosso do Sul era o então deputado estadual Cícero Antônio de Souza. Homem de forte articulação, Cícero mais tarde alcançaria postos de altíssimo escalão na política sul-mato-grossense, chegando à presidência da Assembleia Legislativa e, posteriormente, ao comando do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS).
O peso político do encontro na João Carrato, no entanto, não se limitava à bancada estadual. As bases locais estavam fortemente representadas por figuras emblemáticas da comunidade três-lagoense. Marcaram presença os então vereadores José Manoel Sejopoles — carinhosamente conhecido como “Zé Mané” —, Nalfel Elias Seba e o médico Domingos Martins de Souza.
Mais do que uma simples reunião partidária, o episódio na esquina da Escola Fernando Corrêa permanece na memória local como um retrato de uma época em que a política se fazia no corpo a corpo, olho no olho, e com forte identidade comunitária. Uma fotografia viva de um tempo que deixou marcas profundas na história de Três Lagoas.
João Maria Vicente
Foto – Arquivo pessoal


