Ata do Fed e abertura de mercado nesta quarta-feira (20)

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos – Foto: arquivo

O mercado global abriu esta quarta feira em modo respiração assistida. Depois da pressão causada pelas tensões entre Estados Unidos e Irã, os ativos ensaiam recuperação, mas ainda com o petróleo perto de US$ 110, Treasuries longos em níveis historicamente desconfortáveis e investidores olhando para a ata do Fed como quem lê bula de remédio forte.

Na Ásia, o recado foi claro. Nikkei caiu 1,23%, Kospi recuou 0,86%, Hang Seng perdeu 0,57% e Xangai cedeu 0,18%. O motivo não foi apenas geopolítico. Juros globais elevados, energia cara e bancos centrais sem pressa de aliviar compõem aquele tipo de ambiente em que o risco até entra na sala, mas pede para sentar perto da saída.

Na Europa, a inflação da zona do euro foi confirmada em 3% em abril, acima dos 2,6% de março e distante da meta de 2% do BCE. O núcleo desacelerou levemente para 2,2%, o que ajuda, mas não resolve. Inflação cheia subindo e núcleo cedendo é quase um diálogo de casal em crise. Um lado diz que está melhorando, o outro mostra a fatura do supermercado.

Nos Estados Unidos, os futuros de S&P 500 e Nasdaq avançavam pela manhã, em parte pelo alívio temporário no petróleo e pela expectativa em torno do balanço da Nvidia. A companhia virou mais do que uma empresa. Virou termômetro de fé em inteligência artificial, tecnologia e múltiplos elevados. Quando uma ação carrega tanta expectativa, o resultado não precisa ser ruim para decepcionar. Basta ser humano.

A ata do Fed também entra no centro do dia. O mercado quer saber se os juros americanos seguem apenas altos ou se começam a flertar com algo mais incômodo: inflação persistente com crescimento menor. Com o Treasury de 30 anos rondando níveis não vistos desde 2007, o custo do dinheiro volta a lembrar ao mundo que liquidez barata não era uma lei da natureza. Era uma fase.

O petróleo recua pelo segundo dia, com Brent ainda próximo de US$ 109 e WTI acima de US$ 102, após relatos de circulação de superpetroleiros pelo Estreito de Ormuz. O alívio é importante, mas frágil. Energia cara mexe com inflação, juros, margens corporativas e humor político. No mercado, o barril nunca é só barril. Ele é índice de medo líquido.

No Brasil, o Ibovespa tenta se recompor após queda forte na véspera, quando recuou 1,5% para a casa dos 174 mil pontos. O real também sentiu a pressão externa e política, chegando perto de R$ 5,05. O fluxo estrangeiro merece atenção: houve retirada de R$ 891,857 milhões da B3 em 18 de maio e saída de R$ 10,532 bilhões no mês, embora o saldo no ano ainda permaneça positivo em R$ 46,011 bilhões.

A política voltou a pesar no preço dos ativos. Pesquisas eleitorais, caso Master, discussões sobre reforma tributária, crédito para motoristas de aplicativo e potenciais impactos tarifários no setor elétrico entram no radar. Quando o fiscal, o político e o regulatório aparecem juntos, a bolsa não analisa apenas lucro. Analisa governabilidade, previsibilidade e o tamanho da conta que pode chegar depois.

Para a Magno Investimentos, dias como hoje reforçam uma verdade pouco glamourosa, mas essencial: patrimônio não se protege com palpite, se protege com leitura de cenário, diversificação, caixa bem remunerado, controle de risco e estratégia. O mercado pode até acordar tentando sorrir para a foto. Mas quem administra patrimônio de verdade olha primeiro para o que ficou fora do enquadramento.

Magno Investimentos

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