Operação mira grupo suspeito de movimentar R$ 146 milhões com autopeças e lavagem de dinheiro

A Receita Federal e a Polícia Federal deflagraram, nesta quinta-feira (27), a Operação Peça-Chave, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no descaminho de autopeças estrangeiras e na lavagem de dinheiro em Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Campo Grande.

A Justiça autorizou a apreensão de drogas, armas, joias, obras de arte, dinheiro em espécie e outros bens de alto valor que possam ter sido adquiridos com recursos provenientes das atividades investigadas.

Também poderá ser recolhido dinheiro em espécie sem origem comprovada, quando o valor ultrapassar R$ 5 mil.As investigações apontaram que o grupo teria adquirido e comercializado no Brasil autopeças estrangeiras introduzidas irregularmente no país.

Entre 2018 e 2023, os envolvidos teriam movimentado mais de R$ 146 milhões sem documentação ou registros contábeis suficientes para comprovar a origem e a destinação dos recursos.

A apuração começou após a identificação de movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo saques elevados realizados em agências bancárias de cidades da região de fronteira.

As operações levantaram suspeitas sobre a origem do dinheiro movimentado pelos investigados.Durante as investigações, foram encontrados indícios de distribuição de autopeças em território nacional sem a devida regularização da importação.

Segundo os investigadores, notas fiscais falsas também teriam sido utilizadas para transportar as mercadorias, principalmente por meio das chamadas “noteiras”, empresas criadas especificamente para a emissão de documentos fiscais.

A Receita Federal também identificou empresas sem capacidade operacional compatível com o volume de operações realizadas.

Conforme a apuração, essas empresas seriam utilizadas para emitir documentos fiscais em favor de terceiros.Outro ponto investigado é a comercialização de mercadorias sem o correspondente registro de entrada nos estoques das empresas envolvidas, além de elementos que indicariam possível lavagem de capitais.

Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados e cruzados com dados fiscais e bancários dos investigados.

A medida busca identificar a origem dos recursos e aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira do grupo.

A operação conta com oito auditores-fiscais e analistas-tributários da Receita Federal, além de equipes da Polícia Federal.

Tatiane Linhares Vicente, com informações de Campo Grande News

Foto:PF