Na Newsletter: Derrotas no Congresso, vitória na ONU e Copa do estresse térmico

Nem em seus sonhos mais calientes, a bancada do agro na Câmara imaginou que conseguiria arrasar com tanta facilidade as leis ambientais do país e, de quebra, enfraquecer a capacidade do Estado de combater o crime. Sob as bênçãos de Hugo Motta, os ruralistas passaram a boiada na Semana do Agro – melhor seria Semana da Motosserra – e conseguiram, de uma só vez, fragilizar a fiscalização ambiental, colocar as formações não florestais do país à mercê de desmatadores, flexibilizar o controle ambiental sobre exploração de espécies comerciais e reduzir os limites de uma das unidades de conservação mais importantes do país.

Ricardo Salles deve ter ficado orgulhoso. A ganância em nome do lucro escancara o total desprezo dos parlamentares pelos compromissos ambientais e as metas climáticas assumidas pelo Brasil.

A facilidade com que as propostas foram aprovadas escancara o desinteresse ou a incapacidade (ou ambos) do governo Lula de defender a agenda ambiental no Congresso.

O Observatório do Clima explicou o tamanho do retrocesso. Enquanto isso, o super El Niño se avizinha, provocando incêndios sem precedentes, deixando cidades em alerta e causando preocupação até na FIFA, que se prepara para uma Copa do Mundo em condições perigosas de temperatura.

No meio do caos, uma boa notícia. Duas, na verdade: a ONU aprovou nesta semana uma resolução que diz ser obrigação legal dos países o combate à crise climática e ministros reunidos em Copenhague se disseram super empenhados em transformar a COP31 na COP da eletrificação. Aguardemos. Boa leitura!

Resolução da ONU reforça dever dos países no combate à crise do clima

Brasil votou a favor. Turquia, sede da COP31, se absteve

Foto: Rafael Medelima

Por 141 votos a 8, a Organização das Nações Unidas reconheceu nesta semana um parecer consultivo publicado em julho de 2025 pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) de Haia sobre a responsabilidade dos países na crise do clima. Foi uma vitória para o campo da política climática.

Até a decisão da ONU desta semana, as nações carregavam apenas o peso moral de agir contra o aquecimento global, já que os pareceres da CIJ não são juridicamente vinculativos. Com a nova resolução, a ONU consolida o entendimento de que o combate à crise climática não é uma mera escolha política, mas sim um dever legal.

“Ela não cria novas obrigações, mas reconhece obrigações previstas na lei internacional”, explica Anna Cárcamo, Especialista em Política Climática do Greenpeace Brasil.

A resolução esclarece, por exemplo, que um país X (como os Estados Unidos) passa a ter responsabilidade sobre os danos climáticos ocorridos no país Y (como Vanuatu, o arquipélago no Pacífico que acionou a Corte de Haia).

Estão sob a mira principalmente as nações que seguem falhando em adotar políticas efetivas de redução das emissões de gases de efeito estufa.

Tipo aquelas que insistem em subsidiar a exploração de combustíveis fósseis.

Alô, Brasil! Alô Petrobras! O texto reconhecido pela ONU também diz que um país pode ser processado pela atuação ambiental nociva de empresas privadas dentro de sua jurisdição.

“Mesmo não sendo vinculante, a decisão serve de base para fortalecer a litigância entre países ou até mesmo dentro deles”, complementa Anna Cárcamo. Alô, Brasil! Alô, Petrobras!

Foto: Assembleia Geral da ONU em Nova York, no dia 20 de maio de 2026. Foto: Eskinder Debeb/ONU

Efeito não antecipado

Movimento pela eletrificação pode ser a grande novidade da COP31

Nem o sociólogo Robert Merton, que descreveu a Lei das Consequências Imprevistas, poderia esperar por essa: a agressão feita pelo americano Donald Trump e seu comparsa Binyamin Netanyahu contra o Irã – que causou a maior crise de energia da história moderna – tem feito a comunidade internacional correr em busca de alternativas ao petróleo e, por tabela, soluções para a crise climática.

Na esteira dessa corrida, ministros de 40 países se reuniram na Dinamarca nesta semana e cravaram que a palavra da vez para a COP31 é “eletrificação”. De Copenhague, a gente conta essa história.

Novo anormal 1
Mudanças climáticas impulsionam queimadas em todo mundo

Mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados em todo o planeta apenas nos quatro primeiros meses de 2026 – uma área equivalente ao estado do Amazonas, o maior do Brasil em extensão territorial. O número é cerca de 50% superior à média recente (2012-2025) e o dobro do registrado no mesmo período de 2024, até agora o ano mais quente já observado.

A África aparece como a região mais atingida, seguida por Ásia e Américas. Pelos lados de cá, os focos foram particularmente intensos nos Estados Unidos, Canadá, Chile e Argentina.

Na Oceania, o destaque foi a Austrália. A análise é da Rede Mundial de Atribuição (WWA).

Novo anormal 2


Jogos da Copa correm risco de acontecer sob calor em níveis perigosos

Ao menos 25% dos jogos da Copa do Mundo de 2026 — sediada por México, Estados Unidos e Canadá — devem ocorrer sob condições climáticas extremas, com risco de estresse térmico para atletas, trabalhadores e torcedores.

O dado é da Rede Mundial de Atribuição (WWA). Para a análise, a organização usou um índice que leva em conta quatro fatores: temperatura do ar, umidade relativa, radiação solar direta e velocidade do vento.

O risco é maior em áreas dos Estados Unidos. 

Where is the money?

Observatório do Clima lança cartilha sobre orçamento climático nacional

A cartilha “Financiamento Climático: do orçamento à implementação” explica de forma simples como funciona o financiamento para o clima no Brasil.

A publicação fala de instrumentos como o Fundo Clima, o Fundo Amazônia e o FNMA, além de discutir desigualdades no acesso aos recursos, limitações na rastreabilidade do orçamento climático e os desafios enfrentados por municípios mais vulneráveis e com menor capacidade fiscal.

O material foi produzido em parceria com a Heinrich-Böll-Stiftung, a Frente Ambientalista, o GT Orçamento e o GT Clima. Baixe gratuitamente aqui.

Na playlist

Uma trilha sonora para a Semana da Motossera: “Indecent Behavior”, da banda de rock alemã Sick.

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