No dia 14 de outubro de 2012, Três Lagoas se despediu de um de seus personagens mais queridos. Após permanecer 35 dias internado na UTI, morreu aos 85 anos o comerciante Jamil Abud, eternizado na memória da cidade como o inesquecível “Zinho da Exposição”.
Filho de imigrantes libaneses, Zinho chegou ainda bebê a Três Lagoas, vindo de São Paulo. Foi aqui que construiu sua história, marcada pelo trabalho, pelo esporte e, principalmente, pelas amizades que cultivou ao longo de décadas.

Muito antes de se tornar referência no comércio local, Zinho já era conhecido pelo amor ao esporte. Praticou e ensinou modalidades como vôlei e basquete, ajudando a incentivar gerações de jovens tres-lagoenses. Mas foi à frente da tradicional loja “A Exposição” que seu nome se tornou parte da identidade da cidade.
Pioneira no ramo de materiais esportivos, a loja foi aberta há mais de meio século e virou ponto de encontro de atletas, estudantes e amigos. Mais do que vender produtos, Zinho conquistava as pessoas com simpatia, atenção e conversa fácil — características que o transformaram em uma figura popular e respeitada.
Ao lado da esposa, Janete Abud, construiu não apenas uma família, mas também uma trajetória de carinho e dedicação à comunidade. O casal teve quatro filhos, sete netos e dois bisnetos.
Emocionada, dona Janete relembrou na época a essência do marido: “Ele era amigo de todo mundo”. Segundo ela, Zinho começou a perder o brilho após a morte do irmão Adib Abud, o conhecido “Adibão”. Naquele momento, Zinho já era o último sobrevivente entre os sete irmãos da família.
Mais de uma década depois de sua partida, o nome de Zinho continua vivo na memória afetiva de Três Lagoas — como símbolo de uma época em que o comércio tinha rosto, amizade e histórias que atravessavam gerações.
João Maria Vicente
Foto – Arquivo pessoal

