Tarifaço dos EUA poupa celulose e garante fôlego ao principal motor das exportações de MS

A decisão dos Estados Unidos de excluir a celulose da nova tarifa adicional de 25% trouxe alívio para a economia de Mato Grosso do Sul.

O produto, principal destaque da pauta de exportações do Estado, ficou fora da lista de itens afetados, preservando um setor que movimentou cerca de R$ 8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026.

Levantamento do Observatório da Indústria da Fiems aponta que, entre janeiro e junho, o segmento de celulose e papel exportou US$ 1,446 bilhão, representando 38% da receita das exportações industriais sul-mato-grossenses, percentual equivalente ao do complexo frigorífico.

No período, as exportações industriais de Mato Grosso do Sul alcançaram US$ 3,83 bilhões, o maior volume já registrado para um primeiro semestre.

A indústria respondeu por 67% de toda a receita das exportações estaduais, reforçando sua importância para a economia.

O crescimento do chamado Vale da Celulose consolidou o Estado como um dos maiores polos mundiais do setor.

Três Lagoas concentra grandes fábricas da Suzano e da Eldorado Brasil Celulose, enquanto Ribas do Rio Pardo ampliou sua participação com a entrada em operação da nova unidade da Suzano, fortalecendo a capacidade produtiva estadual.

Além das exportações, a cadeia da celulose impulsiona diversos segmentos, como transporte, logística, comércio, prestação de serviços e mercado imobiliário, gerando milhares de empregos diretos e indiretos e contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.

Segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o novo tarifaço poderá atingir mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras da indústria e do agronegócio.

No entanto, a celulose está entre os cerca de 2.100 produtos que permaneceram isentos da medida por serem considerados estratégicos para a indústria norte-americana.Entre janeiro e junho deste ano, os Estados Unidos importaram 437,3 mil toneladas de produtos de Mato Grosso do Sul, movimentando US$ 370,5 milhões (cerca de R$ 2,05 bilhões).

A celulose respondeu por 16% dessas exportações, ao lado das carnes bovinas e do ferro-gusa, que também ficaram fora da sobretaxa.

Com a manutenção da isenção, Mato Grosso do Sul preserva a competitividade de seu principal produto de exportação, garantindo estabilidade para uma cadeia produtiva que exerce papel fundamental na economia estadual, especialmente em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo.

Tatiane Linhares Vicente, com informações de RCN67

Foto:ilustrativa