Com o objetivo de diminuir o volume de insumos importados no mercado brasileiro, a Petrobras concluiu o processo de seleção e oficializou as companhias que assumirão as obras remanescentes da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), localizada em Três Lagoas (MS). O projeto, considerado estratégico para o agronegócio nacional, contará com um aporte estimado em R$ 5 bilhões.
As vencedoras das concorrências públicas foram distribuídas em diferentes frentes de trabalho. Entre as selecionadas estão a ETC Empreendimentos, Engeko Engenharia, Nova Engevix, as parcerias formadas por Enfil/Carioca e Monto Industrial/Mendes Júnior, além da cooperação internacional entre a Nova Engevix e a PowerChina.
Estratégia de divisão em lotes gerou economia
O aval definitivo para o resgate do empreendimento veio do Conselho de Administração da petroleira no primeiro semestre de 2026, após auditorias comprovarem o retorno financeiro do complexo industrial. A planta de fertilizantes teve as suas obras iniciadas originalmente em 2011, mas os trabalhos foram interrompidos em 2014, deixando cerca de 81% das estruturas erguidas.
Para mitigar riscos e evitar o monopólio de grandes contratos nas mãos de poucas empreiteiras, a gestão da Petrobras dividiu o restante da obra em lotes independentes. A estratégia ampliou a concorrência e permitiu a inclusão de prestadores locais, barateando o custo global da finalização.
O escopo das atividades contratadas varia desde a pavimentação de vias internas e edificações de suporte até montagens industriais altamente complexas. Isso inclui as estruturas destinadas à transformação química de amônia, sistemas de automação de processos e as áreas de estocagem e escoamento da produção.
### Distribuição das empresas por área de atuação:
- Lote 1: Consórcio ETC Empreendimentos / Engeko Engenharia
- Lote 2: Engeko Engenharia
- Lote 3: Consórcio Enfil/Carioca (proposta de R$ 579,6 milhões)
- Lote 4: Nova Engevix Engenharia e Projetos
- Lote 5: Consórcio Monto Industrial / Mendes Júnior
- Lotes 6, 8 e 10: Consórcio Nova Engevix / PowerChina
Autossuficiência no campo
A projeção da Petrobras é de que a unidade industrial comece a operar comercialmente até 2029. Quando estiver em plena atividade, a UFN-3 terá capacidade diária de processamento de 2.200 toneladas de amônia e 3.600 toneladas de ureia. A produção nacional em larga escala reduzirá significativamente a exposição do produtor brasileiro às oscilações de preços e sanções internacionais do mercado externo, especialmente em relação aos fornecedores do Leste Europeu.
João Maria Vicente
Foto – Arquivo

