Pesquisa: eleitorado conservador rejeita Michele e prefere Flávio Bolsonaro para liderar a direita

Um novo levantamento da Atlas/Bloomberg, realizado entre 26 e 30 de junho de 2026, mediu o impacto das recentes crises no cenário político brasileiro, avaliando o racha na família Bolsonaro e as investigações contra o senador petista Jaques Wagner.

Disputa na Direita: Flávio Isola Michelle Após Conflito Familiar

Mesmo após a repercussão do vídeo em que Michelle Bolsonaro acusa o enteado de ser “grosseiro e desrespeitoso”, a base conservadora fechou apoio em torno de Flávio Bolsonaro para a corrida presidencial, especialmente com o ex-presidente em prisão domiciliar.

  • Preferência Presidencial: 81,6% dos bolsonaristas querem Flávio como candidato da direita, enquanto apenas 14,7% preferem Michelle. O senador se destaca ainda mais entre o eleitorado feminino, onde alcança 86,9% de apoio.
  • Liderança Conservadora: Questionados sobre quem melhor comanda as pautas da direita hoje, 48,5% apontaram Flávio. Michelle amarga a lanterna com apenas 2,9%, ficando atrás de nomes como Nikolas Ferreira (19,6%), Renan Santos (10,2%), Tarcísio de Freitas (9,4%), Eduardo Bolsonaro (4%) e Ronaldo Caiado (3,7%). Ela supera apenas Romeu Zema (1,6%).

O Fator Lealdade e o Impacto do Vídeo

O eleitorado de direita penalizou a ex-primeira-dama no quesito fidelidade. Flávio é visto como totalmente leal ao pai por 79% (95% no total positivo), enquanto Michelle atinge 54% de lealdade total (80% no total) — ficando atrás até do governador Tarcísio de Freitas (92%). Para 15%, Michelle não demonstra nenhuma lealdade ao marido.
Embora o vídeo tenha sido assistido por 78% do público e a maioria da população geral acredite no desabafo de Michelle (59,6%), os bolsonaristas rejeitaram a postura: 65,6% discordaram da publicação e 54,6% não acreditam nas acusações dela. Além disso, 64,1% avaliam que a exposição pública do conflito enfraquece os planos presidenciais de Flávio.

Caso Banco Master: Jaques Wagner e o Respingo em Lula

A operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o Banco Master dividiu a opinião pública sobre os culpados, mas trouxe forte desgaste para a imagem do governo federal.

  • Divisão de Culpabilidade: Para 37,6%, os principais envolvidos pertencem ao grupo de aliados de Lula; 36% culpam aliados de Bolsonaro, e 17,1% apontam responsabilidade mútua.
  • Percepção de Culpa: Entre os que acompanham o caso, 74,3% acreditam que Jaques Wagner de fato recebeu vantagens indevidas, contra apenas 9,4% que defendem sua inocência.
  • Impacto no Planalto: Enquanto 37,8% enxergam a crise como um problema estritamente pessoal do senador, 35,6% avaliam que o escândalo atinge diretamente o presidente Lula. No total, a maioria dos entrevistados (61,2%) acredita que o episódio prejudica — muito ou um pouco — uma eventual tentativa de reeleição do atual presidente.

Dados Técnicos da Pesquisa:
A amostragem contou com 4.999 entrevistados via internet. A margem de erro é de 1 ponto percentual, com nível de confiança de 95%.

João Maria Vicente, com Brasil de Fato

Foto – Redes sociais