Com apoio do Ministério da Justiça, unidade levará ao país um modelo de execução penal que registra apenas 2,84% de reincidência entre mulheres no Brasil.
O sistema penitenciário do Paraguai deu um importante passo rumo à humanização da execução penal com a implantação da primeira APAC feminina do país e da primeira unidade da metodologia voltada para mulheres fora do Brasil. A iniciativa marca um novo capítulo na expansão internacional do Método APAC, reconhecido pelos resultados na ressocialização de pessoas privadas de liberdade e na redução da reincidência criminal.
A aliança estratégica foi firmada pela presidente da Fundação Kuña Mimbi Paraguay, Gloria Lafuente de López e por Felix Duarte Dupont, principal liderança e representante do Método APAC no país. A parceria une a experiência da FBAC, responsável pela difusão e fiscalização da metodologia, com a atuação da fundação paraguaia, que será responsável pela implantação da unidade no país.
O projeto nasce com a missão de oferecer às mulheres privadas de liberdade a oportunidade de reconstruírem suas trajetórias por meio dos pilares fundamentais da metodologia, como o trabalho, a educação, a valorização humana e o fortalecimento dos vínculos familiares.
Enquanto os sistemas prisionais tradicionais da América Latina enfrentam elevados índices de reincidência criminal, frequentemente superiores a 70%, o Método APAC demonstra que a ressocialização efetiva é possível. No Brasil, berço da metodologia, a média de reincidência nas APACs femininas é de apenas 2,84%, consolidando o modelo como uma alternativa segura, eficiente e reconhecida internacionalmente na promoção da segurança pública e da justiça restaurativa.
O convênio tem como foco ampliar as oportunidades de ressocialização para mulheres privadas de liberdade. A unidade foi planejada, inicialmente, para acolher 60 recuperandas, com projeção de expansão para até 100 vagas. Assim como ocorre nas APACs brasileiras, a unidade funcionará com base em um modelo de disciplina e corresponsabilidade. A segurança fundamenta-se no respeito às normas, na responsabilidade compartilhada e no compromisso das próprias recuperandas com seu processo de recuperação.
No sistema prisional convencional, muitas mulheres enfrentam o abandono familiar, a separação dos filhos e o enfraquecimento dos vínculos afetivos. A metodologia APAC busca justamente fortalecer essas relações, oferecendo um ambiente que favorece o desenvolvimento pessoal e a preparação para o retorno à sociedade.
A implantação da unidade também conta com forte apoio institucional. O Ministério da Justiça do Paraguai apoia a integração da APAC como política pública oficial, reconhecendo a metodologia como uma alternativa voltada à recuperação humana e à redução da reincidência criminal.
O projeto da unidade feminina encontra-se em fase avançada de formalização. O terreno destinado à construção já recebeu aprovação verbal das autoridades, enquanto os planos estratégicos seguem em tramitação na Diretoria de Obras do Ministério da Justiça para garantir a implantação da unidade de acordo com os princípios e diretrizes da metodologia APAC.
“Sempre pautei minha trajetória na defesa dos direitos das mulheres, e ver a metodologia APAC ganhar força internacional, cruzando fronteiras para proteger a dignidade das mulheres paraguaias, representa a concretização de um sonho coletivo. O apoio do Ministério da Justiça do Paraguai não apenas valida a eficácia do método, mas também demonstra que é possível construir uma segurança pública baseada na restauração, na valorização humana e em oportunidades reais de transformação”, afirma Tatiana Faria, diretora-geral da FBAC.
A liderança da APAC Paraguai segue em constante comunicação com a FBAC, compartilhando os avanços do projeto para garantir o alinhamento técnico e metodológico da iniciativa. Com o apoio do voluntariado, da sociedade civil, representada pela Fundação Kuña Mimbi Paraguay, e das autoridades, o país avança na implantação de um modelo de execução penal que prioriza a recuperação humana, a responsabilização e a reintegração social, reforçando que é possível construir um sistema prisional mais seguro e humanizado.
Sobre a FBAC
A Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, responsável por orientar, congregar, avaliar e fiscalizar as APACs (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) em todo o Brasil. A instituição atua para garantir a unidade de propósitos entre as APACs e a aplicação fiel da metodologia, reconhecida nacional e internacionalmente por seus resultados na recuperação e reintegração social de pessoas privadas de liberdade.
Mais informações sobre a FBAC e o Método APAC estão disponíveis em: www.fbac.org.br
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