Se você veio pelo nosso enigma nas redes sociais buscando a solução, o segredo guardado pelo tempo é direto e surpreendente: no passado, tanto a rua quanto a escola se chamavam 2 de Julho.
Por trás desse mesmo nome que marcou a geografia e a memória urbana da cidade, escondem-se dois capítulos marcantes do desenvolvimento educacional e da medicina tres-lagoense.
Um marco da educação centenária
Instituição de ensino que prestou grande contribuição para a formação educacional em Três Lagoas, o histórico Colégio “2 de Julho” foi fundado em 1945 pelo professor João Magiano Pinto, que o dirigia em companhia de sua esposa Eufrosina Pinto e que, para tanto, contava com o apoio de jornalistas como Elmano Soares, Sabino José da Costa e Rosário Congro, bem como de líderes políticos da época, dentre os quais, Sebastião Fenelon Costa e Filinto Muller.
Além do casal de fundadores, o padre João Thomes e a educadora Maria Eulália Vieira também se tornaram nomes de escola.
O primeiro, a escola estadual na Vila Piloto e a outra, a tradicional escola municipal no Jardim Alvorada, que passou por recente reforma.
No ano de 1973, quando era dirigido por Maria Lúcia Firmino, o colégio passou a denominar-se “Escola Estadual de 1º e 2º Graus Afonso Pena” que até então se chamava Escola Modelo Afonso Pena.
Da antiga Rua 2 de Julho ao legado do “Médico dos Pobres”
Enquanto o colégio ensinava as primeiras gerações de estudantes, a via que hoje abriga o comércio e o trânsito da Rua Monir Thomé também era batizada como Rua 2 de Julho. A troca de nome foi uma justa homenagem a uma das figuras mais emblemáticas e altruístas da história local.
Filho dos imigrantes libaneses Egídio Thomé e Hassiba Jubran Thomé, o médico Monir Thomé instalou seu consultório justamente nessa rua. Ele ganhou o carinhoso título de “médico dos pobres” por sua vocação em servir à comunidade: não raro, transformava a própria residência, na Rua João Carrato, em ambiente de acolhimento e seu carro particular em ambulância para socorrer quem não tinha recursos.
O médico partiu precocemente em 1976, aos 50 anos, mas seu legado de dedicação foi eternizado no mapa urbano. Além de rebatizar a antiga Rua 2 de Julho com seu nome, sua memória também batiza a Maternidade do Hospital Auxiliadora.
João Maria Vicente
Foto – João Maria Vicente/Arquivo pessoal

