O impacto da UFN-III: Simone Tebet relembra a transformação histórica de Três Lagoas

Durante a cerimónia de assinatura dos contratos para a retoma das obras da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados), a ex-ministra do Planeamento e Orçamento e pré-candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), recordou o seu percurso como presidente do município de Três Lagoas e apontou a fábrica como um verdadeiro divisor de águas para o desenvolvimento da região.

Com 85% da sua estrutura já construída, o projeto estratégico encontrava-se paralisado há 12 anos. Agora, a expectativa é que a conclusão das obras gere cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos no município.

A virada industrial de Três Lagoas

Simone Tebet recordou que, no início da sua gestão autárquica, Três Lagoas era uma cidade pequena, provinciana, endividada e com graves problemas de infraestrutura. A grande mudança começou em 2007, com a atração da maior fábrica de celulose em linha única do mundo.

“Essa fábrica só veio para cá porque o presidente Lula aceitou enviar uma medida provisória para o Congresso Nacional, alterando os termos para que pudéssemos competir de igual para igual com potências como os Estados Unidos, a Rússia e a China”, explicou.

Hoje consolidada como uma referência industrial e global, a cidade precisou de ousadia política e negocial no passado. A ex-ministra relatou que, na altura, foi contactada pela Petrobras, que exigia uma área específica para instalar a unidade de fertilizantes — precisamente o terreno atravessado pelo gasoduto Brasil-Bolívia.

Desafios financeiros e visão estratégica

O grande obstáculo inicial foi a falta de recursos locais. “A autarquia não tinha um tostão furado”, relembrou. A solução foi desenhar uma parceria estratégica com o Governo do Estado, que permitiu adquirir os 550 hectares necessários por 6 milhões de reais. “Não sei se hoje, mesmo com 120 ou 140 milhões de reais, conseguiríamos comprar essa mesma área”, sublinhou.

Soberania nacional e o mercado global

No encerramento, Simone contextualizou a relevância da fábrica para a economia e a soberania do país. A ex-ministra destacou que, atualmente, cerca de 30% do custo de produção de várias culturas agrícolas não se deve à mão de obra, maquinaria ou logística, mas sim aos fertilizantes.

Como o Brasil importa atualmente 80% deste insumo em dólares — dependendo fortemente de regiões em conflito, como a Rússia e a Ucrânia —, a consolidação e abertura da UFN-III torna-se fundamental para reduzir a dependência externa e fortalecer o agronegócio nacional.

João Maria Vicente, com Campo Grande News

Foto – Reprodução redes sociais