Lava a jato e conveniência são desmascarados como fachada para tráfico e bebidas falsificadas

Dois estabelecimentos que aparentavam funcionar normalmente como um lava a jato e uma conveniência foram alvos de uma operação da Polícia Civil nesta quinta-feira (3), em Campo Grande.

Os locais, situados na Rua Poente, no bairro Portal Caiobá, eram investigados por suposto envolvimento em uma série de atividades criminosas.

A ação foi realizada pela 6ª Delegacia de Polícia, com apoio do GOI (Grupo de Operações e Investigações), da Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) e do Procon-MS.

Durante as buscas, os policiais e fiscais encontraram drogas, bebidas alcoólicas com sinais de adulteração, garrafas que seriam utilizadas para reenvasamento de bebidas, cigarros contrabandeados, joias, equipamentos relacionados ao comércio clandestino de ouro e anotações que indicariam possíveis práticas de agiotagem.Denúncias levaram à operação

A investigação teve início após diversas denúncias de moradores da região, que relataram movimentação intensa durante a noite, consumo de drogas, som alto e presença de homens que circulavam armados nas proximidades dos estabelecimentos.No local, foram apreendidos 522 gramas de maconha, além de outras porções encontradas em uma gaveta próxima ao caixa.

Segundo a investigação, a forma como os entorpecentes estavam armazenados indicaria que estariam preparados para comercialização.Durante a operação, também foi cumprido um mandado de prisão preventiva contra um jovem de 27 anos, apontado como suspeito de liderar o tráfico na região da Vila Fernanda.

Ele também é investigado por furtos contra empresas locais.As equipes recolheram ainda um GM Corsa, celulares e aproximadamente R$ 400 em dinheiro.Garrafas originais seriam usadas para falsificaçãoUm dos pontos que mais chamou a atenção durante a fiscalização foi a estrutura encontrada para possível adulteração de bebidas alcoólicas.

Foram apreendidas garrafas de marcas importadas de alto valor, como Johnnie Walker Double Black, Gold Label, Grey Goose e Royal Salute, algumas sem nota fiscal e sem informações obrigatórias em português.Quatro garrafas de uísque White Horse também apresentavam indícios de adulteração.Além disso, foram encontrados 52 vasilhames vazios, em bom estado de conservação e ainda com selos originais do IPI.

A suspeita é de que as garrafas fossem utilizadas para reenvasar bebidas falsificadas e comercializá-las como produtos legítimos.Cigarros e indícios de agiotagemNa conveniência, os agentes encontraram 316 maços de cigarros contrabandeados da marca Fox, que seriam vendidos por valores abaixo dos praticados no mercado.

Também foram apreendidas joias, uma balança que estaria relacionada ao comércio clandestino de ouro e cadernos com anotações que levantaram suspeitas de empréstimos com cobrança de juros abusivos e possíveis práticas de extorsão.Proprietários não foram localizados

O proprietário dos estabelecimentos e a mãe dele, que também atuava na administração dos locais, não estavam presentes durante a operação e não foram encontrados.Um funcionário foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.

Os proprietários dos imóveis foram identificados e deverão ser intimados para prestar depoimento sobre os fatos investigados.Os dois estabelecimentos foram lacrados.

O caso envolve suspeitas de crimes como contrabando, tráfico de drogas, falsificação e adulteração de produtos destinados ao consumo.

Tatiane Linhares Vicente, com informações de enfoque MS

Foto:Reprodução