Igreja Presbiteriana Unida aprova inclusão e ordens pastorais para pessoas LGBTQIAPN+

​Em uma decisão histórica tomada durante sua Assembleia Geral, realizada entre 17 e 19 de julho em Salvador (BA), a Igreja Presbiteriana Unida (IPU) autorizou a recepção de pessoas LGBTQIAPN+ como membros oficiais de suas comunidades. A deliberação também abre caminho para que, ao cumprirem os requisitos regimentais da denominação, essas pessoas possam exercer o ministério pastoral.

​A medida não altera a doutrina central da igreja nem impõe uma postura obrigatória a todas as congregações locais, mas estabelece diretrizes formais que reconhecem e legitimam a inclusão da comunidade LGBTQIAPN+ tanto na membresia quanto na liderança.

​Diálogo e construção coletiva

​O debate vinha sendo estruturado desde 2023, com a criação da Comissão Especial para Assuntos de Gênero. O grupo de trabalho reuniu:

  • ​Membros da comunidade LGBTQIAPN+;
  • ​Representantes de presbitérios;
  • ​Pastores que já realizavam celebrações de casamentos homoafetivos.

​Durante o processo, a comissão analisou a documentação oficial da IPU e promoveu encontros com lideranças regionais. Os relatórios apontaram que a denominação convive com diferentes visões hermenêuticas e teológicas — variando de posturas mais conservadoras a abordagens abertamente inclusivas.

​Vetos à discriminação e à “cura gay”

​Além de liberar o acolhimento e a ordenação, a Assembleia Geral fixou um conjunto de princípios mínimos obrigatórios para todas as comunidades locais:

  • Combate às fobias: Proibição irrestrita de discursos de ódio, atitudes discriminatórias e violência simbólica, espiritual ou psicológica contra pessoas homoafetivas.
  • Rejeição a terapias reversivas: Repúdio explícito a práticas conhecidas como “cura gay”, amplamente condenadas pelos conselhos de medicina e psicologia.

João Maria Vicente, com Metrópoles

Foto – Reprodução Metrópoles