Flávio chega à convenção do PL sem vice e sob críticas de partidos do centrão

Dirigentes de União Brasil, PP e Republicanos apontam falhas de articulação, resistência ao diálogo e prioridade aos interesses da família Bolsonaro.

21/07/2026 Material de referência geográfica 12:45 DA REDAÇÃO – ©DIVULGAÇÃO

A poucos dias da convenção que deve oficializar sua candidatura à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) chega ao encontro sem uma aliança nacional fechada, sem candidato a vice e sob críticas de lideranças do centrão pela condução das negociações eleitorais.

Antes considerado o integrante da família Bolsonaro com maior capacidade de diálogo e articulação política, o senador não conseguiu atrair formalmente a federação formada por União Brasil e PP, nem o Republicanos, partidos vistos como estratégicos para ampliar o tempo de propaganda, o fundo eleitoral e a estrutura nacional de campanha.

Dirigentes dessas legendas afirmam, reservadamente, que Flávio procurou apoio sem apresentar contrapartidas claras. Entre as reclamações estão a falta de disposição para discutir participação em um eventual governo, resolver impasses nas disputas estaduais e construir propostas conjuntas.

Férias e eventos sazonais

No caso do Republicanos, a insatisfação é maior porque, segundo integrantes da sigla, o pré-candidato não teria procurado diretamente o presidente nacional do partido, deputado Marcos Pereira, para tratar de uma possível aliança.

União Brasil e PP se afastam

Parlamentares da federação União Progressista relatam que os presidentes Antônio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do PP, passaram a evitar conversas diretas com Flávio para não terem de rejeitar pessoalmente a proposta de coligação.

Em abril, dirigentes das duas siglas ainda indicavam que um eventual apoio dependeria principalmente da moderação do discurso do candidato do PL. Com o avanço das negociações, porém, cresceu a percepção de que a pré-campanha não apresentou uma estratégia consistente para integrar os partidos aliados.

Política

A avaliação de integrantes do centrão é que, sem acordo nacional, as legendas podem obter mais vantagens concentrando recursos na eleição de deputados federais, sem dividir o fundo eleitoral com a campanha presidencial do PL.

Convenção pode ocorrer sem candidato a vice

O coordenador da pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), admitiu que Flávio poderá participar da convenção marcada para sábado (25) sem anunciar o nome da vice.

A atuação de Marinho também é alvo de críticas. Lideranças partidárias dizem que ele concentrou decisões, dificultou a participação de outros grupos e não contribuiu de forma suficiente para a construção de alianças nos estados.

A falta de partidos coligados interfere diretamente na definição da chapa. Os principais nomes avaliados para a vaga de vice são mulheres filiadas ao Republicanos e ao PP, mas a ausência de acordos institucionais dificulta qualquer anúncio.

Campanhas e eleições

Preferência por Daniella gera desconforto

Entre os nomes discutidos está o da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Flávio demonstrou preferência pessoal por ela, mas a movimentação teria provocado ruídos dentro da legenda.

Dirigentes afirmam que a eventual indicação não foi negociada com a direção nacional e, por isso, seria vista como uma escolha individual de Flávio, sem representar uma deferência ou participação formal do Republicanos na chapa.

Sem uma composição partidária, a tendência é que o PL apresente uma chapa exclusivamente formada por seus próprios quadros.

Crises atrasaram articulação

Aliados reconhecem que episódios envolvendo a candidatura de Flávio consumiram tempo e prejudicaram as negociações. Entre eles estão o caso conhecido como Dark Horse, o desentendimento com Michelle Bolsonaro e questionamentos sobre a escolha da vice.

Material de referência geográfica

A disputa com Michelle é apontada por políticos do centrão como um exemplo de falta de habilidade para administrar conflitos internos. Dirigentes avaliam que Flávio deveria ter contornado as divergências para garantir a presença da ex-primeira-dama em seu palanque.

Michelle tem influência entre eleitores conservadores e participa ativamente das discussões sobre alianças estaduais. O confronto público entre os dois ampliou a impressão de desorganização dentro do grupo bolsonarista.

Relação com Ciro Nogueira também pesou

Outro fator citado foi a reação de Flávio à operação da Polícia Federal que teve Ciro Nogueira como alvo. Segundo integrantes do PP, o presidenciável evitou defender publicamente o dirigente para não associar sua imagem ao episódio.

A postura provocou desconforto entre aliados. Pouco depois, Flávio enfrentou seu próprio desgaste com a divulgação de informações de que teria solicitado dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro.

Para lideranças do centrão, o episódio mostrou que o senador não ofereceu apoio político a um aliado em um momento de crise, mas esperaria solidariedade semelhante quando fosse atingido.

Decisões familiares afetam alianças estaduais

A prioridade dada a interesses da família Bolsonaro também aparece entre as reclamações. Um dos casos mencionados é o de Santa Catarina, onde o PL decidiu lançar uma chapa própria ao Senado para acomodar a candidatura de Carlos Bolsonaro.

A decisão retirou o apoio do partido à tentativa de reeleição de Esperidião Amin (PP) e aumentou o desgaste com a legenda de Ciro Nogueira.

Campanhas e eleições

Embora não tenha conseguido formar uma coligação nacional, Flávio mantém alianças regionais com partidos do centrão. Há apoios estaduais envolvendo nomes como Tarcísio de Freitas, Celina Leão e ACM Neto, além de composições para o Senado em diferentes unidades da Federação.

PL minimiza isolamento

A equipe de Flávio argumenta que o PL possui, sozinho, uma das maiores fatias do fundo eleitoral e tempo de propaganda superior ao de várias legendas. O partido avalia que dispõe de estrutura suficiente para sustentar uma candidatura presidencial própria.

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, deverá reunir federações e partidos como PT, PV, PCdoB, PSOL, Rede, PDT e PSB, aumentando sua participação na propaganda eleitoral e o volume de recursos disponíveis.

Dentro do centrão, a avaliação predominante é que faltaram experiência, estratégia e capacidade de negociação para impedir o isolamento de Flávio às vésperas da convenção. A decisão sobre a vice e a eventual retomada das conversas com outras siglas poderão ocorrer após a homologação da candidatura.

Jornal do Estado MS

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