Moradora de Água Clara, ela começou a acompanhar o marido nos treinos e acabou descobrindo no esporte uma atividade que, segundo ela, combina disciplina, autocontrole e responsabilidade.
Ser mulher, mãe de três filhos, cantora evangélica e profissional da área de beleza não impede Alana Lemos de ocupar um espaço que, durante muito tempo, foi associado quase exclusivamente aos homens: o tiro esportivo.
Moradora de Água Clara-MS, Alana, que também trabalha com design de sobrancelhas e micropigmentação, começou a se aproximar da modalidade por influência do marido, que já pratica o esporte. O que inicialmente era apenas uma forma de acompanhá-lo acabou despertando nela o interesse pela atividade.
“Comecei acompanhando ele e, aos poucos, fui tomando gosto pelo esporte”, conta.
Hoje, Alana pratica tiro esportivo no Clube de Tiro de Selvíria-MS, onde encontrou um ambiente que, segundo ela, é receptivo às mulheres. A presença feminina, inclusive de mulheres mais velhas, chamou sua atenção e reforçou a percepção de que a modalidade está deixando de ser vista como exclusivamente masculina.
Para Alana, o tiro esportivo vai muito além de simplesmente manusear uma arma. Ela define a atividade como uma oportunidade de desenvolver disciplina, concentração, superação e responsabilidade.
Fé e esporte
Um dos aspectos que tornam a história de Alana diferente é a maneira como ela concilia a prática esportiva com a vida cristã. Cantora evangélica, ela afirma não enxergar conflito entre sua fé e o tiro esportivo.
“Minha fé está presente em tudo que faço, e pratico o esporte com responsabilidade e segurança”, afirma.
Até o momento, Alana diz não ter enfrentado questionamentos por parte de pessoas da igreja ou de sua família. Pelo contrário: segundo ela, recebe apoio e continua vivendo normalmente sua fé.
A espiritualidade também acompanha seus momentos de treinamento. Antes de praticar, ela conta que costuma orar e pedir a Deus “proteção, sabedoria e concentração”.
Entre os princípios cristãos que procura levar para o esporte estão o respeito, a disciplina, a humildade, a responsabilidade e o domínio próprio.
Ela cita ainda um ensinamento bíblico que considera relacionado à prática esportiva: 1 Coríntios 9:25, passagem que destaca a disciplina e o domínio próprio daqueles que se dedicam a uma competição.
“As mulheres também têm conquistado seu espaço”
Alana reconhece que ainda existe a percepção de que o tiro esportivo é predominantemente masculino, mas acredita que esse cenário está mudando.
“Não pense que esse esporte é só para homens. Conheça, aprenda e pratique com responsabilidade”, aconselha às mulheres que têm curiosidade sobre a modalidade, mas receiam sofrer preconceito.
No ambiente de treinamento, ela afirma que sempre foi bem recebida e respeitada. Também diz que nunca sentiu necessidade de provar que é capaz por ser mulher.
“Procuro apenas fazer o meu melhor e aprender a cada vez que pratico”, explica.
A experiência também trouxe mudanças pessoais. Depois que começou a praticar, Alana passou a valorizar ainda mais a concentração, a disciplina e o autocontrole.
Vídeos aproximaram outras mulheres do esporte
Outro aspecto que marcou a trajetória de Alana foi a repercussão dos vídeos que publica mostrando sua experiência com o tiro esportivo. Segundo ela, os comentários foram, em sua maioria, positivos.
A repercussão chegou a despertar o interesse de outras mulheres.
“Algumas mulheres já demonstraram interesse depois de ver meus vídeos, e isso me deixa muito feliz”, relata.
Para Alana, o tiro esportivo envolve muito mais do que o interesse por armas. A modalidade exige técnica, treinamento, disciplina e, acima de tudo, responsabilidade e segurança.
Ela também faz questão de destacar a importância de quem deseja conhecer o esporte procurar um local adequado e aprender de maneira correta, respeitando as regras de segurança.
Uma nova experiência
Ainda no início da trajetória, Alana pratica de forma recreativa e não se considera uma atleta de alto nível. Seu objetivo, neste momento, é continuar aprendendo e evoluindo.
Mais do que buscar resultados, ela parece ter encontrado no esporte uma nova experiência pessoal — sem abrir mão das outras partes que formam sua identidade.
“É mostrar que podemos ocupar diferentes espaços sem abrir mão da nossa fé e dos nossos princípios”, define Alana ao resumir o que significa, para ela, ser mulher, evangélica e praticante de tiro esportivo.
Uma combinação que, para ela, não representa contradição, mas a possibilidade de viver diferentes experiências mantendo os mesmos valores.
João Maria Vicente
Fotos – Arquivo pessoal

