Economia Criativa: Artesãos de MS fecham negócio e enviam produtos para lojas de São Paulo

Encontro Regional de Artesanato, promovido pela MS Florestal, reuniu cerca de 100 artesãos de 11 municípios e lojistas de São Paulo e de Mato Grosso do Sul. Pedidos foram fechados ainda durante o evento

O artesanato da Costa Leste de Mato Grosso do Sul ganhou nesta quinta-feira (22) um novo endereço: as vitrines de São Paulo. Onças, tucanos, araras e tuiuiús de pelúcia, crochê e bordado saíram das mesas dos artesãos direto para o caderno de pedidos de lojistas paulistas durante o Encontro Regional de Artesanato, no Centro de Eventos João Leme, em Bataguassu. Com mais de 100 artesãos de 11 municípios, o evento colocou em prática o desafio mais antigo do setor: transformar uma peça bem-feita em venda recorrente e em renda que se repete.

Entre os compradores estava a lojista Annie Darakjian, dona de três lojas físicas e uma virtual. Uma delas funciona na área de embarque internacional do Aeroporto de Guarulhos, porta de saída do país; as outras ficam próximas aos hotéis da Avenida Paulista. Ou seja, as peças feitas em MS passam a estar diante de turistas do mundo inteiro. “O produto que a gente encontra aqui é muito desejado, porque tem como tema a fauna e a flora do Pantanal, que é muito rica e realmente diferenciada”, diz. “O acabamento dos artesãos é muito bom, assim como a qualidade criativa, a forma de transporte, de embalagem. É um produto que vende muito bem.”

Segundo ela, são os estrangeiros que mais procuram as peças: “Eles gostam muito da onça, do tucano, da arara, do tuiuiú, dos animais que representam o Brasil e que estão aqui em Mato Grosso do Sul”.

Do pano de prato ao mercado internacional

Do outro lado da mesa, as metas também eram claras. Joelma Mendes Pedroso, do Ateliê Pantanal, integrante da ACLAMS (Casa do Artesão de Três Lagoas), foi ao encontro “para fechar grandes negócios, para agora e para o futuro”. Em pouco mais de três anos de artesanato, suas peças já chegam a São Paulo e foram parar nos Estados Unidos, na China e no Japão. “Comecei com pano de prato e vim para o bicho de pelúcia como uma consequência. Sempre amei os animais da nossa região”, conta.

Compromisso com o território

Com o mote “Mãos que conectam, arte que gera oportunidades”, o encontro teve talk show, palestra magna do artesão e designer Marco Aurélio Pulcherio, o Marco 500, e uma sessão de negócios que pôs quem produz frente a frente com quem compra.

Para a MS Florestal, a iniciativa traduz a forma como a empresa se relaciona com a região. “Nosso compromisso não é só com a nossa operação florestal, mas com toda a sociedade em que estamos inseridos. Promover o empreendedorismo, principalmente dos artesãos regionais, é gerar renda, sobretudo para quem mais necessita”, afirma Bruno Madalena, gerente de Relações Institucionais da MS Florestal. “Essa não é só uma ação econômica e financeira da empresa, mas também uma ação social para mitigar os impactos trazidos pela nossa operação e criar renda e diversidade para toda a população.”

“Acima de tudo, um vendedor”

Na palestra magna, Marco 500 resumiu três décadas de atuação em uma frase: “Acima de tudo, eu sou um vendedor”. Para ele, técnica não falta aos artesãos da região. “O que eu vejo aqui e em vários lugares é um lindo acabamento, um domínio de técnica. Elas sabem bordar, costurar, têm bom acabamento. A nossa intenção é transformar isso num negócio: que não seja só um hobby ou um complemento financeiro para a família, mas que vire negócio e ganhe o mundo.”

O designer destaca o peso das parcerias. “O apoio do Sebrae, da Fundação de Cultura, das empresas de celulose, da MS Florestal é vital para que esses artesãos cresçam. Muitas vezes eles têm uma boa técnica, mas não sabem os caminhos: como se apresentar na internet, numa feira regional, numa feira nacional como a Fenearte ou numa feira fora do país. Um encontro como este muito provavelmente vai mudar o caminho de alguns artesãos. Tomara que de todos.”

Ambiente de negócios

Para o Sebrae/MS, o resultado do dia confirma a aposta na integração. “Acreditamos que, para ter mercado, alavancar as vendas e fortalecer a economia, é preciso esse apoio, essa integração entre instituições públicas, Estado, prefeitura e setor produtivo, e a criação de um ambiente de negócio como este, com lojistas de São Paulo e de Mato Grosso do Sul vindo conhecer a nossa arte, a nossa fauna e a nossa flora”, afirma Josi Signori, gerente regional do Sebrae em Três Lagoas.

O Encontro Regional de Artesanato é uma iniciativa da MS Florestal, com apoio da Bracell Social, do Sebrae/MS, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, da Associação Integra Costa Leste e da Prefeitura de Bataguassu.

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