“Doa a quem doer” ou “doa em quem doer”? Entenda qual é a forma correta

Expressão voltou ao debate após declarações de Lula e Simone Tebet sobre investigações do Banco Master

Você provavelmente já ouviu alguém dizer: “doa a quem doer”. Mas será que essa é mesmo a forma correta?

A dúvida faz sentido. Afinal, no uso cotidiano da língua portuguesa, é comum dizer que determinada coisa “dói em alguém”. Daí surge a pergunta: não seria correto dizer “doa em quem doer”?

A resposta é: a forma consagrada pela língua portuguesa é “doa a quem doer”.

A expressão é uma construção tradicional e significa que algo deve ser feito independentemente de quem seja atingido pelas consequências, sem favorecimentos ou proteção.
Foi justamente essa expressão que ganhou destaque em declarações recentes envolvendo o caso Banco Master.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que as investigações sejam realizadas “sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.
Simone Tebet também utilizou a expressão ao defender que a lei seja aplicada de maneira igual a todos:

“A lei deve ser aplicada a qualquer pessoa, doa a quem doer.”

Mas por que não “doa em quem doer”?

A confusão acontece porque, em uma frase comum, utilizamos a preposição “em” para indicar sobre quem recai a dor: “isso dói em mim”, por exemplo.

Entretanto, “doa a quem doer” é uma expressão cristalizada pelo uso da língua, com estrutura própria. Por isso, não se deve simplesmente substituir a preposição “a” por “em” com base na construção de uma frase comum.

Assim, quando a intenção é dizer que uma decisão será tomada sem importar quem será atingido, a forma tradicional e correta é:
“Doa a quem doer.”

A expressão pode ser usada em diferentes contextos — de uma decisão política a uma declaração pessoal — sempre com a ideia de que as consequências devem ser enfrentadas, independentemente de quem seja afetado.

E você, já tinha aprendido que o correto era “doa em quem doer”?

João Maria Vicente, com auxílio de IA

Foto – Redes sociais