O que começou como um gesto espontâneo de cidadania dentro de uma sapataria ganhou proporções surpreendentes e agora se consolida como um importante polo cultural no Bairro Vila Nova.
Localizada na Rua Coronel Augusto Corrêa da Costa, nº 900, a tradicional Sapataria Real abriga a “Biblioteca Comunitária do Celso”, idealizada por Celso Jacinto dos Santos, que decidiu transformar seu ambiente de trabalho em um espaço de incentivo à leitura e à convivência comunitária.
Entre os dias 11 de março e 15 de abril, a iniciativa ganhou reforço técnico por meio de uma atividade de extensão universitária conduzida pela acadêmica Geni Rosa de Oliveira, estudante do 5º período de Museologia do Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi). A ação teve como foco a organização de acervos em bibliotecas comunitárias, promovendo a integração entre Museologia Social e Biblioteconomia, com o objetivo de preservar a memória local e ampliar o acesso à cultura.
As intervenções trouxeram inovação e criatividade ao espaço. Entre as melhorias implementadas estão a criação de um carimbo personalizado para catalogação do acervo e a introdução da “sacola literária”, pensada especialmente para o público infantil. A proposta busca estimular o hábito da leitura de forma lúdica, incentivando as crianças a desenvolverem desde cedo um sentimento de pertencimento e conexão com os livros.
Com mais de mil exemplares disponíveis, a biblioteca comunitária já se destaca como um verdadeiro território de memória e conhecimento. A organização do acervo não apenas facilita o acesso às obras, como também valoriza as histórias que circulam pelo local. A parceria entre o idealismo de Celso e o conhecimento técnico da acadêmica reforça o papel da informação como ferramenta de transformação social, beneficiando moradores do Vila Nova e regiões próximas.
A iniciativa evidencia como ações simples, aliadas ao apoio educacional, podem gerar impactos duradouros. Mais do que um espaço de trabalho, a sapataria se tornou um símbolo de resistência cultural e de democratização do saber, inspirando novas gerações de leitores e fortalecendo o vínculo da comunidade com a educação e a memória coletiva.
João Maria Vicente
Fotos – Divulgação
