A crise bancária e política no Paraguai que culminou na renúncia do presidente Santiago Peña gera preocupação e incertezas para quem acompanha o ambiente de negócios e os investimentos no Paraguai.
O Paraguai tornou-se um destino importante para empresas brasileiras atraídas por vantagens competitivas relevantes, como custos de produção menores e benefícios tributários. Como fica o ambiente de negócios e os planos de investimento diante desta turbulência?
Segundo Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, consultoria especializada em internacionalização empresarial, a questão central a ser observada é se a resposta institucional para a crise política no Paraguai conseguirá preservar a confiança do capital estrangeiro construída nos últimos anos.
“Nenhum país está imune a crises financeiras. O Brasil enfrentou recentemente o caso do Banco Master, e temos precedentes internacionais, como Portugal e Espanha, que também passaram por situações bancárias relevantes.
No Paraguai, chama a atenção a mobilização da população, a cobrança por esclarecimentos e as medidas adotadas pelas autoridades.
Para o investidor, não basta que um país ofereça vantagens econômicas; é fundamental compreender como suas instituições reagem quando são colocadas à prova”, afirma Raizer.
“Uma indústria não decide transferir parte de sua produção com base em acontecimentos isolados. Estamos falando de investimentos de longo prazo, que envolvem infraestrutura, logística, mão de obra e planejamento financeiro.
O que pode mudar neste momento é o grau de cautela dos investidores e as exigências para financiar esses projetos. A questão central é se a resposta institucional conseguirá preservar a confiança do capital estrangeiro”, acrescenta.
Vale lembrar que os indicadores disponíveis antes da crise apontavam condições de liquidez e capitalização adequadas no conjunto do sistema financeiro. A especialista destaca que o Banco Central afirma que o caso do ueno não representa uma condição generalizada do sistema, enquanto a Moody’s avaliou que a situação pode ser administrável, desde que a resolução seja conduzida adequadamente.
Fluxo de empresas brasileiras para o Paraguai
A combinação de incentivos fiscais, custo mais baixo de mão de obra e energia barata, além de menor burocracia, tem atraído empresas brasileiras a expandir suas operações para o Paraguai.
Um dos grandes atrativos é a Lei de Maquila, criada para atrair indústrias que exportam e gerem empregos no Paraguai. O regime prevê tributação única de 1%, calculada sobre o valor agregado no Paraguai ou sobre o valor da fatura de exportação, prevalecendo a maior base, além de isenções tributárias específicas para operações aprovadas no regime.
De janeiro a setembro, as exportações do Paraguai sob o regime somaram US$ 1,148 bilhão, registrando um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025. O último balanço oficial registra 36.382 empregos vinculados ao setor.
Segundo dados da Câmara de Empresas Maquiladoras do Paraguai (Cemap), em abril o país possuía 339 maquiladoras, com uma predominância de investimentos vindos do Brasil. A Cemap estima que cerca de 70% do capital instalado sob esse regime de incentivo tem origem no Brasil.
Entre os setores que têm ampliado atividades no país estão o têxtil, o alimentício, o de plásticos e o de autopeças. No primeiro semestre de 2026, o Brasil recebeu 62% das exportações paraguaias de maquila.
Para Suelen, o Paraguai deve ser visto como uma oportunidade para fortalecer o Mercosul e ajudar as empresas brasileiras a enfrentar a concorrência chinesa e competir em outros mercados.
“É menos uma história de substituição de um país pelo outro e mais de reorganização das cadeias produtivas e expansão produtiva”, afirma a especialista, citando como exemplo a Lupo, que inaugurou uma fábrica em Ciudad del Este, no ano passado, mas não fechou nenhuma unidade no Brasil.
Sobre a Frontexa
A Frontexa é uma empresa brasileira especializada em competitividade regional e estruturação de operações empresariais em novos mercados. A companhia apoia empresas na análise de onde e como operar para ganhar eficiência, combinando leitura de cenário econômico, avaliação regulatória e fiscal e estruturação prática de operações.
Com foco na reconfiguração da base produtiva, fiscal, financeira e estratégica das empresas, a Frontexa conduz projetos que vão do diagnóstico à implementação, incluindo estruturação operacional, suporte na formação de equipes, identificação de ativos e viabilização da operação em novos ambientes de negócios.
O Paraguai se destaca como o principal caso atual dessa transformação, mas a atuação parte de uma lógica mais ampla de competitividade regional.
A empresa é liderada por Suelen Raizer, que tem experiência prática em indústria e trajetória marcada pela revisão de modelo de negócio a partir de mudanças de ambiente, o que fundamenta sua atuação na interseção entre cenário econômico e decisão empresarial.
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