Avanço do agronegócio, interiorização da tecnologia e consolidação do atendimento 100% digital impulsionam a busca por mobilidade internacional fora dos centros econômicos tradicionais
Historicamente concentrado no Sudeste, região que hoje responde por 42% da presença física das agências e 51,9% dos embarques de estudantes, o mercado brasileiro de educação internacional vivencia um movimento de descentralização geográfica sem precedentes.
Motivados pela interiorização do desenvolvimento econômico, pela ascensão do agronegócio e pelo surgimento de novos polos de tecnologia e inovação, estudantes de regiões como o Nordeste (que representa 25% dos respondentes da pesquisa nacional),
Sul (11,4%), Norte (7%) e Centro-Oeste (4,7%) estão ampliando sua participação nas viagens de estudo e trabalho no exterior.
Essa expansão além do eixo São Paulo-Rio de Janeiro tem sido diretamente viabilizada pela transformação digital do setor.
Segundo a recém-lançada Pesquisa Nacional Selo Belta 2026, realizada pela Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio), a adesão das agências aos canais virtuais atingiu a marca de 100% no atendimento online e 81% na efetivação de vendas 100% digitais.
O modelo permite que estudantes de qualquer município do país planejem e comprem seus programas sem a necessidade de deslocamento até uma agência física.
O fortalecimento financeiro de cidades do interior, impulsionado pela rentabilidade das cadeias do agrobusiness e por ecossistemas regionais de inovação, gerou um novo perfil de cliente: mais diversificado, altamente conectado e atento às exigências da carreira global.
Além disso, a forma como o público se informa mudou radicalmente.
De acordo com a pesquisa Selo Belta, o Instagram é a principal fonte de informação (24,3%) para quem planeja ir ao exterior, seguido por agentes de educação (14,9%) e pelo YouTube (14,4%), superando veículos tradicionais e facilitando o alcance da educação internacional em regiões remotas.
“Víamos o intercâmbio como um produto quase exclusivo das grandes capitais do Sudeste. Hoje, a tecnologia encurtou essa distância. O estudante do interior do Mato Grosso, do Sertão Nordestino ou do interior do Sul do país têm acesso às mesmas consultorias especializadas e ao mesmo portfólio de escolas globais que um jovem da capital paulista”, afirma Alexandre Argenta, presidente da Belta.
“A descentralização é um reflexo do próprio amadurecimento econômico do Brasil. O avanço do agronegócio e da tecnologia regional descentralizou a renda e aumentou a demanda por qualificação internacional. Ter um idioma fluente e uma experiência no exterior tornou-se um pré-requisito não apenas para quem quer trabalhar nas metrópoles, mas também para quem atua na liderança das novas cadeias produtivas no interior”, destaca Argenta.
O impacto financeiro do setor reafirma sua relevância econômica nacional. Em 2025, o segmento de intercâmbio movimentou R$7 bilhões (mais de US$1,25 bilhão).
O ticket médio investido por estudante ficou em US$8.283 (cerca de R$46.219) por programa, um aumento de 14% em relação aos levantamentos anteriores.
As perspectivas para o futuro próximo são otimistas: 53,2% das agências registraram crescimento no envio de estudantes no último ano, e 72,9% projetam novo crescimento das vendas para 2026.
Entre os estudantes pesquisados, 70,6% manifestaram interesse em realizar um intercâmbio em breve, demonstrando um aquecimento consistente da demanda.
Sobre a Belta
Criada há mais de 30 anos, a Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio), visa promover a educação internacional no país.
Como única associação das Agências de Intercâmbio do Brasil que oferece programas para todo o mundo e sem fins lucrativos, tem como foco certificar com o Selo Belta agências confiáveis no setor, por meio de um processo cuidadoso de análise financeira, técnica e idoneidade das agências.
Atualmente, as agências especializadas Selo Belta representam mais da metade do mercado de educação internacional no Brasil, tendo cerca de 300 pontos de venda em todo o Brasil, mais de 50 associadas colaboradoras que são associações internacionais de instituições de ensino de idiomas, universidades e redes de escolas internacionais, assim como prestadores de serviços afins ao segmento.
A qualidade dessas empresas é atestada pelo Selo Belta, oferecendo credibilidade no Brasil e no exterior.
A Belta tem prêmios acumulados ao longo desses anos, entre eles, o prêmio internacional STM Awards, considerado o Oscar do segmento de intercâmbio.
Foi a primeira associação de agências de intercâmbio que, após receber 5 vezes essa premiação, alcançou o hall da fama.
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