A suspensão da entrada de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, iniciada nesta quinta-feira (3), acende um alerta para a cadeia da carne em Mato Grosso do Sul e levanta uma dúvida entre os consumidores:
com parte da produção precisando buscar novos mercados, o preço da carne pode cair no Brasil?
A medida foi adotada devido a exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos e afeta um importante destino para produtos brasileiros.
Em Mato Grosso do Sul, o impacto preocupa produtores, especialmente porque o Estado vem ampliando as exportações de carne bovina.Entre janeiro e julho de 2026, a proteína movimentou US$ 1,33 bilhão nas exportações sul-mato-grossenses, crescimento de 43,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
O produto representou 18,4% de tudo o que o Estado vendeu ao exterior no período, ficando atrás apenas da soja e da celulose.No primeiro semestre, Mato Grosso do Sul embarcou 198,1 mil toneladas de carne bovina, alta de 23,4% na comparação anual.
A receita chegou a US$ 1,17 bilhão, crescimento de 47,9%. O preço médio da tonelada exportada também subiu 19,7%.China é principal destinoApesar da suspensão europeia, a China é o principal mercado para a carne produzida em Mato Grosso do Sul.
Segundo análise da consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, os chineses aumentaram em 109% o valor das compras de carne bovina do Estado no primeiro semestre.
Os Estados Unidos também ampliaram as aquisições, com alta de 41,7%.O mercado chinês, porém, também impôs novas limitações em 2026.
O país estabeleceu uma cota de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina brasileira. Dentro desse limite, a tarifa é de 12%. Acima da cota, passa a incidir uma tarifa adicional de 55%.Em julho, a receita de Mato Grosso do Sul com as vendas de carne bovina para a China caiu 46% em relação a junho.
No mesmo período, a receita total das exportações sul-mato-grossenses da proteína recuou 17%.Preço pode cair no mercado interno?A perda do mercado europeu pode aumentar a oferta de carne destinada ao mercado brasileiro caso os frigoríficos não consigam redirecionar rapidamente os volumes para outros países.
Em um cenário de excesso de oferta, isso pode pressionar os preços para baixo.No entanto, uma redução não é garantida.
A demanda externa, os preços internacionais, os custos de produção, o câmbio e a capacidade de outros mercados absorverem a produção também influenciam diretamente o valor da carne no mercado interno.A União Europeia é especialmente relevante por comprar cortes de maior valor agregado.
Por isso, a suspensão preocupa o setor, mesmo não sendo o principal destino da carne sul-mato-grossense.A Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso do Sul (Nelore-MS) também critica as exigências europeias e avalia que parte das medidas pode ultrapassar questões sanitárias e representar uma barreira comercial à carne brasileira.
Com a mudança, produtores e frigoríficos agora buscam alternativas para direcionar a produção a outros mercados e reduzir os impactos da suspensão europeia.
Tatiane Linhares Vicente, com informações de Midiamax
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