Brasil tem matriz elétrica três vezes mais renovável que a média mundial

Divulgação – A diretora-superintendente Iramar Severiano comemora o sucesso do Smart Energy.

Dados da EPE foram apresentados durante a Smart Energy 2026, encerrada nesta quarta-feira (23), em Curitiba

Terminou na última quarta-feira (23) a Conferência Internacional de Energias Inteligentes – Smart Energy 2026, realizada no Campus da Indústria do Sistema Fiep, em Curitiba. A data da próxima edição já foi anunciada: 13 e 14 de setembro de 2027. Durante dois dias, especialistas, pesquisadores, representantes do setor produtivo, universidades e gestores públicos discutiram avanços, desafios e perspectivas para o setor de energia.

“Na Fiep, fizemos uma pesquisa com quatro mil indústrias no Paraná para saber quais as principais necessidades que elas têm. A energia está entre as três primeiras. Portanto, para nós, o tema energia é fundamental”, afirmou João Arthur Mohr, superintendente da Fiep.

Promovida pela Fiep e organizada pela Rede Paraná Tecnologia e Metrologia, nesta edição a conferência aprofundou temas como novos combustíveis, descarbonização, baterias de estado sólido e a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira em comparação a outros países.

Para a diretora-superintendente da Rede Paraná Tecnologia e Metrologia, Iramar Severiano, o evento chegou à décima edição mais maduro e pronto para ampliar os temas no escopo de energias inteligentes.

“Foi um evento muito produtivo, com a participação de muitos atores dessa transformação energética que o país vive. Os temas foram relevantes e nos deixam atentos para a manutenção competitiva da indústria nacional e a sustentabilidade de nossas matrizes energéticas”, disse a diretora-superintendente.

Hoje, o Brasil mantém uma posição de destaque no cenário mundial quando o assunto é energia renovável. Dados de 2025 apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) durante a Smart Energy 2026 mostram que cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, percentual muito superior à média mundial, de cerca de 35%.

Na matriz energética, que considera não apenas a eletricidade, mas todas as formas de energia utilizadas no país, a participação das fontes renováveis chegou a 50% em 2025. No mundo, esse índice é próximo a 14%.

“O Brasil é referência mundial em energia de fontes renováveis. Os outros países querem chegar onde nós estamos”, afirmou Thiago Ivanoski, diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, durante painel do evento.

De acordo com o diretor, o desempenho brasileiro é resultado de decisões e políticas públicas adotadas ao longo de décadas. Entre os exemplos estão o avanço do uso de biocombustíveis e a ampliação da infraestrutura de transmissão de energia.

Na matriz energética de 2025, a biomassa da cana respondeu por 15,8% e a energia hidráulica, por 10,7%. Também aparecem entre as fontes renováveis a lenha e o carvão vegetal (8,3%), outras renováveis (8,9%), energia eólica (3%) e solar (2,7%). Entre as fontes não renováveis, petróleo e derivados representaram 33,7% da oferta interna, seguidos pelo gás natural, com 10,3%.

Ivanoski citou o aumento da participação do biodiesel no diesel e do etanol na gasolina como medidas que contribuíram para elevar em 10% a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira.

Outro fator apontado foi a expansão da rede de transmissão. De acordo com levantamento da EPE, a extensão das linhas de transmissão passou de aproximadamente 125 mil quilômetros, em 2016, para 182 mil quilômetros em 2025.

“A ampliação realizada permite maior integração do sistema e o aproveitamento de diferentes fontes de geração em diferentes regiões do país”, disse.

Apesar da posição de destaque, Ivanoski observa que, há cerca de quatro anos, passou-se a observar uma nova demanda da sociedade: a eletricidade para o transporte, em especial com o crescimento dos veículos elétricos. Com o crescimento acelerado dessa demanda, considera o diretor, é necessário acompanhar como ocorre o carregamento, o aumento do consumo e qual será o impacto dessa nova demanda sobre o sistema. A depender do cenário, novas políticas públicas poderão ser adotadas.

Diretor do EPE, Thiago Ivanoski, destaca o capital energético brasileiro.
A diretora-superintendente Iramar Severiano comemora o sucesso do Smart Energy.

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Kristiane Rothstein – Expressa Comunicação
kristiane@expressacom.com.br
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