Brasil produziu 81 milhões de toneladas de lixo em 2025, mas só reciclou 4,5%

O uso de uma gestão de resíduos ineficiente, como aterros sanitários à céu aberto em detrimento das práticas de reciclagem, levam a uma progressiva crise climática, perda de biodiversidade e poluição, especialmente do solo

Das mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos produzidos no Brasil em 2025, 40% foram para destinações incorretas, aterros sanitários e lixões a céu aberto, mesmo com esse lugares sendo proíbidos pela atual Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Os dados são do Panorama Dos Resíduos Sólidos No Brasil 2025, da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). O dado preocupante é que do total de lixo produzidno no país em 2025.

Dados do Ministério das Cidades apontam que das mais 80 milhões de toneladas de lixo produzida no país, apenas 4,5% foi efetivamente reciclada.

Bem abaixo da meta estabelecida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que visa reciclar 20% dos resíduos até 2025.

O uso de uma gestão de resíduos ineficiente, como aterros sanitários à céu aberto em detrimento das práticas de reciclagem, levam a uma progressiva crise climática, perda de biodiversidade e poluição, especialmente do solo.

Por isso, no próximo dia 15 de abril, celebramos o Dia Nacional da Conservação do Solo, além refletimos o que cada um de nós podemos fazer para a gestão eficiente do lixo que produzimos, vale ressaltar e mostrar exemplo de iniciativas como da indústria de laticínios em Hidrolândia, interior de Goiás, Marajoara.

A empresa  possui um espaço 100% destinado para os resíduos dos seus processos fabris, no ano de 2025, a empresa destinou 64,6 toneladas de resíduos sólidos recicláveis em papelão, plástico e embalagem longa vida (ELV).

“O material perde qualidade de reciclagem quando exposto às intempéries, então temos um espaço coberto, com solo impermeável, e com uma prensa enfardadeira fornecida pela Copel para a gestão dos descartes da fábrica”, explica Vinícius Junqueira, diretor geral da Marajoara.

Neste espaço da empresa goiana, as categorias de material reciclável são devidamente catalogadas, prensadas e, quando acumuladas, destinadas à central de tratamento da Copel, em Aparecida de Goiânia. Lá, o que aos olhos de muitos seria lixo, se transforma em matéria-prima para algo novo.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos institui a obrigatoriedade da gestão correta dos descartes dessa categoria por parte das grandes indústrias para amenizar os efeitos do tripé previsto pela ONU.

Porém, mesmo com a definição por lei, nem sempre essa gestão é feita do modo mais favorável ao meio ambiente.

“Por mais que seja uma obrigação de todo o grande gerador, existem diferentes posturas nesse processo. Há companhias que preferem enviar tudo para um aterro, enquanto há outras que apostam no investimento de uma estrutura que favorece os processos de reciclagem, fazendo jus à responsabilidade de gerir os resíduos”, diz Roberto Domingos Júnior, diretor da unidade Aparecida de Goiânia da Copel Recicláveis.

Segundo o diretor, uma estrutura especializada de reciclagem dentro de uma indústria influencia significativamente na qualidade da reciclagem de seus resíduos sólidos.

Com a movimentação de cerca de 62.400 toneladas de materiais recicláveis nas unidades de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, a Copel atende um universo de 200 fornecedores de resíduos recicláveis.

Deste montante, apenas 20% possuem uma central de reciclagem estruturada como a da Marajoara. “Esse projeto só é possível pois seguimos os requisitos legais de coleta e destinação, com cadastro na Secretaria do Meio Ambiente, emissão de manifestos de transporte de resíduos e alvarás de funcionamento”, explica Vinícius Junqueira.

“Normalmente, não são todas as empresas que investem nesta infraestrutura, porque requer uma gestão mais minuciosa. Muitas fornecem o material solto, por caçambas, caminhonetes, e meios alternativos de logística. Com o material devidamente catalogado e compactado, conseguimos executar a reciclagem em maior escala”, explica o representante da Copel, a qual está no ramo de reciclagem há 40 anos.

Do lixo ao novo

Após o processamento dos resíduos fabris na Marajoara, o material é transportado até a unidade de tratamento da Copel. Cada categoria de dejeto – papelão, plástico e embalagem de leite longa vida -, passa por um diferente tipo de gestão.

O papelão é restaurado em sua forma original; o plástico é processado em pequenos grãos de polietilenos, normalmente utilizado para sacolas de supermercado ou sacos de lixo; já a embalagem longa vida recebe uma atenção especial. 

“Esse tipo de embalagem passa por mais estágios no processo de reciclagem devido ao isolamento no interior do material, feito para preservar a qualidade do leite.

No total, ela nos fornece papel, plástico e alumínio. Esses dois últimos vão virar uma matéria-prima chamada polialumínio, que é utilizada para a fabricação de telhas, por exemplo”, explica Roberto.

O diretor da empresa de reciclagem explica que, dificilmente, uma indústria é capaz de reciclar o total de seus resíduos. Porém, com uma estrutura especializada como a da Marajoara, o percentual de reciclagem aumenta significativamente.

“O que não é possível reciclar, encaminhamos para aterros devidamente regularizados, mas o nosso objetivo é, cada vez mais, aperfeiçoar o sistema de gestão de resíduos e impactar cada vez menos o que é destinado ao aterro”, diz Vinícius Junqueira. 

Reciclagem de sucata metálica e economia circular

Outro fluxo importante da gestão de resíduos da Marajoara envolve a destinação de sucata metálica, realizada em parceria com a Delta Reciclagem.

De acordo com Eurípedes Teodoro de Santos, empresário do setor com mais de 50 anos de experiência no setor, a sucata coletada na indústria – como ferro, alumínio, inox, cobre e fios – é transportada até a empresa e, posteriormente, encaminhada para siderúrgicas em estados como São Paulo, Minas Gerais,

Rio de Janeiro e Pará. “Tudo isso volta para a cadeia produtiva. O ferro vira vergalhões e chapas, o alumínio pode se transformar em panelas, o inox também se transforma em chapas, e o cobre pode até virar adubo”, explica.

Segundo Eurípedes, a estrutura e a organização da Marajoara facilitam significativamente o trabalho de reciclagem.

“Quando a gente chega lá, está tudo separado, arrumado, cada material no seu lugar. Isso faz toda a diferença”, afirma. Ele destaca ainda os benefícios ambientais da reciclagem da sucata, que ajuda a retirar materiais das ruas e evita o descarte inadequado no meio ambiente. Apesar das dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, com a queda no preço da sucata, o empresário reforça a importância da conscientização. “Quanto mais as empresas e as pessoas reciclarem, melhor para o meio ambiente e para todo o setor. A Marajoara faz a parte desse grupo”, conclui.

Gestão de resíduos contaminados e coprocessamento

Além dos resíduos recicláveis secos, a Marajoara também realiza a gestão adequada de resíduos contaminados e industriais, em parceria com a Vitória Protege Ambiental.

Segundo Warlen da Silva Sousa, responsável técnico da empresa, a Vitória é responsável pela coleta de EPIs usados, lâmpadas, estopas e materiais contaminados com óleos, graxas, toners e outros resíduos provenientes das rotinas fabris e de manutenção da indústria.

Após coleta, os resíduos passam por triagem e recebem diferentes destinações conforme sua natureza.

“O descarte incorreto desse tipo de resíduo pode causar contaminação do solo e da água, especialmente em períodos de chuva, quando materiais descartados de forma irregular acabam atingindo rios e mananciais”, alerta Warlen.

Para ele, a Marajoara se destaca no cenário industrial justamente pela organização interna e pela segregação correta dos resíduos, o que facilita a coleta, reduz riscos ambientais e melhora a eficiência da destinação final.

“Para esse tipo de gestão, a Marajoara não vende os resíduos. Na verdade, contratamos a empresa para fazer o serviço, e evitar a contaminação não somente do ambiente do entorno, mas também de qualquer aterro sanitário para qual esse lixo iria caso não recebesse a devida atenção”, declara Vinícius Junqueira.

Marajoara mantém em sua indústria espaço adequado para separação e tratamento de resíduos sólidos secos, como caixas de papelão e plásticos
Divulgação
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Parque industrial da Parajoara em Hidrolândia, interior de Goiás
Acervo Marajoara
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