Quaest: Flávio Bolsonaro Encurta Distância para Lula e Reorganiza Direita de Olho em 2026

​O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reduziu a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto e consolidou sua recuperação para as eleições de 2026. Segundo a nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5), o parlamentar subiu para 39% em um eventual segundo turno contra 44% de Lula, diminuindo a diferença entre os dois para cinco pontos percentuais — a menor margem registrada entre a dupla. No levantamento de julho, o placar era de 44% a 37%.

​O crescimento do pré-candidato do PL também se refletiu no primeiro turno, onde Flávio oscilou de 28% para 30%, enquanto Lula passou de 40% para 39%. Além do avanço nas intenções de voto, o senador ampliou seu potencial de escolha de 38% para 41%, reduziu sua rejeição de 57% para 54% e viu a convicção do seu eleitorado subir: a parcela com voto definitivo nele saltou de 62% para 68%.

​O que Explica a Recuperação de Flávio

​Segundo análise do CEO da Quaest, Felipe Nunes, a reativação do eleitor antipetista e a reorganização do campo conservador impulsionaram o desempenho do senador. Três fatores centrais sustentam esse movimento:

  • Reconciliação com Michelle Bolsonaro: A aproximação pública entre Flávio e a ex-primeira-dama foi aprovada por 59% dos entrevistados. O impacto do apoio de Michelle às chances de vitória de Flávio subiu de 38% para 46% no eleitorado geral e atingiu 79% entre os bolsonaristas.
  • Reação a Medidas Judiciais: A decisão do STF que proibiu o senador de visitar o pai, Jair Bolsonaro, foi considerada errada por 52% do eleitorado, reativando a percepção de exagero institucional entre eleitores de direita e independentes.
  • Desidratação de Ações Governamentais: Programas do governo federal, como o Desenrola e a isenção do Imposto de Renda, perderam força na percepção de impacto financeiro direto junto às famílias.

​Estagnação de Lula e Demais Candidatos

​Enquanto Flávio ganha tração, a avaliação da gestão Lula dá sinais de estabilidade e perda de ritmo: a aprovação do governo permaneceu em 48% e a desaprovação em 47%. O percentual de eleitores que avalia que o país está na “direção errada” subiu para 55%, assim como a parcela que afirma que o petista “não merece” mais quatro anos de mandato (55%).

​Atrás de Lula e Flávio no primeiro turno figuram Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), com 4% cada, seguidos por Romeu Zema (Novo), com 2%. Cabo Daciolo (Mobiliza), Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) registraram 1% cada. Os demais concorrentes não pontuaram. Indecisos somam 10% e brancos/nulos chegam a 8%.

​Alerta entre Evangélicos

​Apesar do quadro favorável de recuperação, a Quaest trouxe um ponto de atenção para a campanha do senador: a perda de margem entre os evangélicos. Em um cenário de segundo turno, Flávio lidera no segmento por 48% a 33%, mas viu a vantagem sobre Lula cair de 22 para 15 pontos em relação ao mês anterior.

Ficha Técnica: A pesquisa Genial/Quaest realizou 2.004 entrevistas presenciais entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o protocolo BR-06591/2026. 

Joao Maria Vicente, com informações e O Tempo

Foto – IA