​A voz que buscou a verdade se cala: Três Lagoas se despede de Adilson Silva, o mestre do rádio e do jornalismo ético

Três Lagoas (MS) — A comunicação de Três Lagoas e do Mato Grosso do Sul perdeu, nesta data, um de seus nomes mais emblemáticos e respeitados. Faleceu Adilson Amâncio da Silva — ou simplesmente Adilson Silva, como sua voz inconfundível ficou imortalizada nas ondas do rádio e nas telas da TV.

​Jornalista, radialista e repórter de mão cheia, Adilson construiu uma carreira pautada pelo compromisso inegociável com a verdade. Fazer jornalismo, para ele, nunca foi apenas uma profissão, mas uma missão exercida com extrema ética, responsabilidade e paixão.

​Elegância no trato, firmeza no microfone

​Adilson era a tradução perfeita da elegância. Homem educado, de conversa fluida e conhecimento eclético, transitava com maestria pelos mais variados assuntos. No entanto, por trás da postura sempre polida e amável, existia um profissional incansável e combativo.

​Conhecido por sua inteligência perspicaz, Adilson era mestre na arte de entrevistar. Suas perguntas — muitas vezes incômodas e temidas por figuras do cenário político — jamais eram gratuitas: eram o instrumento exato de um jornalista que sabia, como poucos, extrair a informação essencial para entregar ao seu público com transparência.

Da notícia à nostalgia: a versatilidade de um gigante

​Com uma trajetória de muitos anos no rádio e marcantes passagens pela televisão, Adilson demonstrou uma versatilidade rara. Esteve no centro dos acontecimentos como repórter de rua, comandou grandes programas de entrevistas e debate, mas também soube tocar o coração dos ouvintes em momentos de pura nostalgia.

​Foi a companhia diária de milhares de três-lagoenses ao apresentar programas musicais memoráveis, como o tradicional espaço dedicado às canções do “Rei” Roberto Carlos, além de tantas outras atrações que embalaram gerações e marcaram a memória afetiva da cidade.

​Uma lacuna irreparável

​A partida de Adilson Silva deixa o rádio e o jornalismo três-lagoense órfãos de uma das suas referências mais completas. Fica a saudade do profissional impecável, do colega generoso e da voz firme que nunca se omitiu diante do compromisso com a informação.

​À família, aos amigos, aos colegas de imprensa e aos milhares de ouvintes que hoje choram a sua partida, nossos mais sinceros sentimentos.

Adilson Silva deixa um legado vivo: o de que o bom jornalismo se faz com coragem, respeito e, acima de tudo, elegância.

João Maria Vicente

Foto- Facebook