China taxa carne de MS em 67%: saiba como a nova medida afeta o produtor e o seu churrasco

A China é o principal destino da carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul

Jennifer Ribeiro – 21/07/2026 – 08:12

Açougue em Campo Grande. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Os frigoríficos brasileiros atingiram, no início de julho, a cota de exportação de carne bovina para a China, fixada em 1,106 milhão de toneladas. A partir desse volume, passa a valer uma sobretaxa de 55% sobre o excedente. Somada à tarifa fixa de importação de 12%, a tributação total chega a 67%.

A China é o principal destino da carne bovina exportada por Mato Grosso do Sul. Com a sobretaxa, a expectativa é a redução da competitividade do produto brasileiro, o que deve levar os frigoríficos a redirecionar parte da produção para outros países e para o mercado interno.

Segundo o pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) Thiago Bernardino de Carvalho, os efeitos da medida tendem a ser sentidos por toda a cadeia produtiva, já que a pecuária de corte trabalha com planejamento de longo prazo.

“A pecuária de corte é uma atividade de investimento de longo prazo. O gado que está sendo abatido hoje, em 2026, começou a ser produzido há três ou quatro anos. Ou seja, esse investimento foi feito muito antes da definição dessa cota pela China. Essa produção já está planejada e não pode ser interrompida”, explica.

Alternativas para o setor

De acordo com o pesquisador, a principal alternativa para os produtores é ajustar o manejo dos animais durante o período em que as compras chinesas estiverem reduzidas. Ainda assim, ele avalia que os impactos sobre o setor são inevitáveis.

“Algumas indústrias, principalmente as de maior porte e mais dependentes do mercado chinês, podem recorrer a férias coletivas. Mato Grosso do Sul tem uma participação importante nas exportações para a China e, naturalmente, também deve sentir os efeitos dessa redução nas vendas”, afirma.

No entanto, o especialista afirma que a intensidade dos impactos dependerá da capacidade dos frigoríficos de encontrar novos mercados e ampliar as vendas no mercado interno.

“Tudo vai depender da estratégia adotada pela indústria. Se ela conseguir escoar a produção no mercado interno e conquistar novos parceiros internacionais, parte desse impacto pode ser amenizada. Mas é natural que toda a cadeia sinta esse deixar de exportar para a China, pelo menos em alguns meses”, pontua.

Midiamax

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