No início da década de 1990, quando a comunicação de Três Lagoas vivia um período de expansão e novos veículos surgiam na cidade, nasceu também um sonho: reunir jornalistas, radialistas, fotógrafos, publicitários e demais profissionais da área em uma entidade forte e representativa. Assim foi criada a Associação Três-lagoense de Imprensa (ATI).
Idealizada para ser muito mais do que uma associação de classe, a ATI pretendia se tornar um verdadeiro ponto de encontro da imprensa local. O objetivo era promover a união entre os profissionais, fortalecer a categoria, defender interesses comuns e proporcionar momentos de confraternização entre comunicadores e suas famílias.
À frente desse projeto esteve, durante muitos anos, o radialista Adonildo Santos, que nunca deixou de acreditar no potencial da entidade. Com perseverança, buscou apoio para transformar em realidade o sonho de uma sede própria e de uma associação atuante. No entanto, os obstáculos foram maiores que o entusiasmo.
Faltaram incentivos do poder público, apoio dos empresários da comunicação e, principalmente, maior participação dos próprios profissionais, fator que acabou enfraquecendo a iniciativa ao longo dos anos.
Na época, o então prefeito Issam Fares chegou a anunciar a doação de uma área às margens do Rio Sucuriú para a construção da sede da ATI e manifestou disposição em colaborar com a obra. A promessa, porém, nunca foi concretizada, e o projeto permaneceu apenas no campo das expectativas.
Com o passar do tempo, as reuniões se tornaram cada vez mais raras, os planos foram sendo adiados e o entusiasmo deu lugar ao silêncio. Aos poucos, a ATI deixou de existir na prática e passou a ocupar apenas um espaço na memória daqueles que acreditaram que a imprensa de Três Lagoas poderia caminhar mais unida.
Hoje, poucas pessoas ainda se lembram da associação. Para muitos profissionais das novas gerações, a ATI é apenas um nome desconhecido. Para quem viveu aquela época, porém, ela representa um capítulo importante da história da comunicação local — a lembrança de um sonho coletivo que, embora não tenha se concretizado, permanece como símbolo de um tempo em que a união da imprensa parecia possível.
João Maria Vicente
Foto – Arquivo pessoal

