Um refúgio de hospitalidade e memórias que resiste ao tempo e cruza gerações à beira da rodovia.
Para quem viaja pela Rodovia MS-112, no trecho que liga Três Lagoas a Inocência, o asfalto e as recentes praças de pedágio marcam a modernização do caminho. No entanto, a cerca de 80 quilômetros do centro urbano de Três Lagoas, o tempo parece conversar com o passado de uma forma acolhedora. Ali fica o Bar do Cazuza, mais que um ponto de parada: uma verdadeira instituição da região e um marco de referência que atravessa décadas.
Mas você já parou para pensar em quem foi o homem que deu nome a esse lugar tão icônico?

A história do bar se confunde com a odisseia de José Rozeno Filho. Ainda menino, com apenas 15 anos de idade, ele deixou a terra natal de Lavras da Mangabeira, no Ceará, enfrentando a dura jornada em um caminhão pau de arara rumo ao interior de Mato Grosso do Sul. O apelido que viraria sinônimo de parada obrigatória veio de uma tradição cultural: “No Norte [Nordeste], todo José é Cazuza”, explica, com o carisma de quem carrega a sabedoria das estradas.
Ao chegar, Cazuza fincou raízes. Antes de ter o próprio balcão, ele percorria a região vendendo produtos variados para as fazendas locais, conhecendo cada palmo daquela terra. O destino mudou quando ele assumiu o comércio que pertencia a um antigo morador conhecido como “Senhorzão”. Com o trabalho duro e o jeito cativante de acolher os viajantes, o nome de Cazuza gravou-se de forma definitiva na geografia e no coração de quem passa por ali.

Hoje, a tradição permanece viva e em família. O local não é apenas um negócio; é o cenário onde todos os filhos de Cazuza nasceram e cresceram.
Entre o vaivém dos carros e o progresso que passa ligeiro pelo asfalto, o Bar do Cazuza segue ali, firme, lembrando a todos nós que o maior patrimônio de uma estrada são as histórias das pessoas que a construíram.
João Maria Vicente
Fotos – Arquivo/João Maria Vicente/Google


