Carta de Manaus defende economia mais inclusiva e coloca igualdade de gênero no centro do desenvolvimento

Documento aprovado por economistas de todo o país durante seminário em Manaus pede ampliação de políticas de cuidado, igualdade salarial, inclusão produtiva e maior participação feminina nos espaços de decisão

Economistas, pesquisadoras, docentes, estudantes, gestoras públicas, empreendedoras e representantes da sociedade civil encerraram o IV Seminário Nacional de Mulheres Economistas e Diversidade, realizado em Manaus nos dias 18 e 19 de junho, com a divulgação da Carta de Manaus, documento que reúne recomendações para a construção de uma economia mais inclusiva, sustentável e socialmente justa.

A carta, aprovada ao final do encontro promovido pelo Conselho Federal de Economia (Cofecon), por meio de sua Comissão Mulher Economista e Diversidade, em conjunto com o Conselho Regional de Economia da 13ª Região (Corecon-AM/RR), defende a incorporação das perspectivas de gênero, raça, território e diversidade na formulação das políticas econômicas e reforça que o combate às desigualdades deve ser tratado como uma agenda estratégica para o desenvolvimento do país.

O documento parte do diagnóstico de que mulheres, especialmente negras, indígenas, ribeirinhas, quilombolas e integrantes de grupos historicamente marginalizados, ainda enfrentam obstáculos estruturais para acessar oportunidades econômicas, ocupar posições de liderança e participar dos espaços de decisão.

Segundo as participantes do seminário, a desigualdade de gênero não representa apenas uma questão social, mas também um entrave ao crescimento econômico. A carta sustenta que sociedades mais igualitárias tendem a apresentar maior eficiência econômica, inovação e resiliência institucional.

Entre os principais pontos defendidos está a ampliação das políticas públicas de cuidado. O documento destaca que a sobrecarga de responsabilidades domésticas e familiares continua sendo um dos fatores que mais limitam a participação feminina no mercado de trabalho e recomenda a expansão de creches, escolas em tempo integral, centros de apoio às famílias e serviços voltados ao cuidado de crianças, idosos e pessoas com deficiência.

A Carta de Manaus também reforça a necessidade de fortalecer mecanismos de fiscalização da igualdade salarial entre homens e mulheres, ampliar a presença feminina em cargos de liderança nos setores público e privado e incentivar a formação de meninas e mulheres em áreas ligadas à economia, ciência, tecnologia, engenharia e inovação.

Outro tema de destaque é a valorização da chamada economia do cuidado e da economia feminista como instrumentos relevantes para compreender desigualdades estruturais e formular políticas públicas mais eficientes. As participantes defendem que análises econômicas tradicionalmente consideradas neutras precisam incorporar de forma mais consistente os impactos diferenciados das decisões fiscais e econômicas sobre mulheres e grupos vulneráveis.

O documento dedica atenção especial à Amazônia, considerada estratégica para o futuro econômico e ambiental do país. A carta defende modelos de desenvolvimento capazes de combinar preservação ambiental, geração de renda, inclusão social e valorização dos conhecimentos tradicionais das comunidades locais. Também propõe o fortalecimento da bioeconomia amazônica e o apoio à implementação da Taxonomia Sustentável Brasileira como instrumentos para direcionar investimentos sustentáveis.

As participantes alertam ainda para os desafios trazidos pelo avanço acelerado da inteligência artificial e das novas tecnologias. Segundo a carta, sem investimentos em qualificação profissional, inclusão digital e educação continuada, existe o risco de aprofundamento das desigualdades já existentes, especialmente entre mulheres e grupos socialmente vulneráveis.

Além das recomendações de políticas públicas, a Carta de Manaus reafirma o compromisso de fortalecer a rede nacional de mulheres economistas como espaço permanente de diálogo, formação e produção de conhecimento, ampliando a participação feminina nos debates econômicos e institucionais do país.

Para as organizadoras, o documento representa um marco na articulação de economistas brasileiras em torno de uma agenda que conecta desenvolvimento econômico, sustentabilidade, diversidade e justiça social. Ao final, a carta reforça que não haverá crescimento verdadeiramente inclusivo sem a participação efetiva das mulheres nos espaços de decisão econômica, política, acadêmica e empresarial.

A íntegra da Carta de Manaus está disponível no portal do Cofecon: https://cofecon.org.br/cofecon/?p=28041.

Ana Borges
anaborges@compliancecomunicacao.com.br
(11) 99388-6381

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