O fluxo migratório de brasileiros em direção ao Paraguai atingiu patamares inéditos. Atraídos por incentivos fiscais, baixo custo de vida e menor burocracia para empreender, dezenas de milhares de cidadãos do Brasil cruzaram a fronteira para fixar residência no país vizinho, consolidando uma tendência que explodiu em 2025 e mantém ritmo acelerado ao longo de 2026.
Em 2025, o Paraguai registrou o recorde histórico de mais de 23.000 brasileiros que obtiveram a residência legal. O movimento não perdeu fôlego: apenas no primeiro trimestre de 2026, mais de 9.200 novas residências foram emitidas, com dezenas de milhares de processos acumulados nas filas dos consulados e escritórios de imigração ao longo do primeiro semestre deste ano.
De onde saem os brasileiros?
O perfil migratório aponta que o movimento atinge diferentes classes sociais e regiões do Brasil, com destaque para três origens principais:
- Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul): Por conta da proximidade geográfica e dos laços históricos (raízes dos chamados “brasiguaios”), o Sul lidera o envio de agricultores, pecuaristas e microempresários.
- São Paulo e Grandes Centros do Sudeste: Profissionais liberais, nômades digitais e empresários de tecnologia que buscam fugir da alta carga tributária e do custo de vida das metrópoles brasileiras.
- Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul): Grandes e médios produtores do agronegócio que expandem suas operações para as terras férteis e menos regulamentadas do território paraguaio.
Quais são os destinos principais no Paraguai?
A distribuição dos novos moradores brasileiros no Paraguai divide-se de acordo com o objetivo econômico e profissional de cada grupo:
- Ciudad del Este e Hernandarias: Principal polo de atração para comerciantes, importadores e o ecossistema de tecnologia. A região de Hernandarias tem se destacado por condomínios fechados de alto padrão que abrigam famílias brasileiras.
- Assunção e Gran Assunção: A capital paraguaia tornou-se o destino favorito de empresários do setor de serviços, franqueados, investidores imobiliários e trabalhadores remotos que buscam infraestrutura urbana completa.
- Encarnación e Pedro Juan Caballero: Cidades que concentram milhares de estudantes brasileiros de medicina, atraídos por mensalidades significativamente mais baratas e processos de ingresso sem vestibular.
- Região de Alto Paraná, Canindeyú e Chaco: Destinos consolidados para os produtores agrícolas focados no cultivo de soja, milho e na pecuária de corte.
O “Ímã” Paraguaio: Impostos Baixos e Custo de Vida
O principal motor dessa debandada é o regime fiscal paraguaio, conhecido como “10-10-10” (10% de IVA, 10% de imposto de renda empresarial e 10% de imposto de renda pessoal). Enquanto o Brasil tributa cerca de 32% do seu PIB, a carga total no Paraguai gira em torno de 14,5%.
Somado a isso, o custo operacional de empresas — impulsionado pela energia elétrica barata gerada pela usina de Itaipu e por leis trabalhistas mais flexíveis — transformou o país vizinho no principal refúgio competitivo para os brasileiros nos anos de 2025 e 2026.
João Maria Vicente
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