Um novo alerta de segurança acendeu o sinal de atenção para os moradores de Água Clara (MS). Um estelionatário tentou aplicar o conhecido “golpe do falso intermediário” ao anunciar nas redes sociais uma motocicleta Honda CB 2020 por um valor muito abaixo da média de mercado. A ação foi frustrada graças à desconfiança e atenção de uma das potenciais vítimas, que procurou a equipe de reportagem do Fatos Regionais para relatar o caso.
Segundo a vítima, a negociação começou após visualizar um anúncio no Facebook com preço bastante atrativo. No entanto, a foto utilizada na publicação pertence ao verdadeiro proprietário do veículo, que não tinha conhecimento de que a sua imagem estava sendo usada por terceiros para a prática de crime.
Entenda a dinâmica do golpe
O criminoso agiu de forma articulada, contactando o dono real da motocicleta sob o pretexto de ter interesse na compra e solicitando fotos e detalhes do veículo. De posse das imagens, criou uma publicação falsa nas redes sociais ofertando a Honda CB.
Ao ser procurado pela potencial vítima, o golpista afirmou que o veículo estava em sua residência e orientou o comprador a ir até o local para inspecionar a moto. Para criar uma falsa sensação de segurança e manter o controle de ambas as partes, o estelionatário usou contatos individuais de WhatsApp e histórias inventadas:
- Para o comprador: Afirmou que a moto estava na casa dele, mas que o “filho” iria ao local para concluir o negócio. Pediu expressamente para que o comprador não comentasse detalhes sobre valores com a pessoa que estava na casa.
- Para o proprietário real: O estelionatário se passou por um intermediário e informou que o seu “filho” (que na verdade era o comprador interessado) iria até a residência para olhar a motocicleta.
Desconfiança e revelação da fraude
Após testar o veículo e aprovar o estado de conservação, o comprador comunicou o suposto vendedor via aplicativo de mensagens para avançar com a transação. Foi nesse momento que o golpista exigiu o pagamento via Pix antes de qualquer procedimento de transferência do veículo em cartório, garantindo que o dinheiro poderia ser enviado “com confiança”.
Diante da insistência do pagamento antecipado e da orientação estranha para não conversar sobre detalhes no local, o comprador decidiu checar as informações diretamente com o homem que o recebeu na residência. Ao perguntar sobre a documentação e o valor real da moto, descobriu que o proprietário pedia cerca de R$ 18 mil pelo veículo e que ele não conhecia a pessoa com quem o comprador conversava.
”Aí eu perguntei para ele se a moto estava no nome dele e o valor que estava pedindo. Ele falou o valor certo (R$ 18 mil e pouco). Foi quando eu avisei: ‘olha, tem alguém anunciando a sua moto e querendo aplicar um golpe’”, relatou a vítima ao Fatos Regionais.
Assim que percebeu que o esquema havia sido descoberto, o golpista apagou as mensagens no aplicativo, inclusive a chave Pix fornecida anteriormente, e interrompeu o contato.
Como se proteger
O caso serve de alerta para a população de Água Clara e região. Especialistas em segurança recomendam atenção dobrada em transações realizadas via redes sociais:
- Preços muito baixos: Desconfie de ofertas com valores significativamente abaixo da tabela FIPE ou da média de mercado.
- Triangulação de conversas: Caso o vendedor solicite sigilo ou peça para “não falar de valores” com quem estiver mostrando o veículo, interrompa a negociação imediatamente.
- Pagamento antecipado: Nunca realize transferências financeiras, depósitos ou envios de Pix antes de conferir a documentação pessoal do proprietário, o recibo do veículo (CRV/ATPV-e) e realizar o reconhecimento de firma em cartório.
João Maria Vicente
Foto – Redes sociais

