Reforma tributária pode expor fragilidades financeiras das empresas

A reforma tributária pode ampliar a pressão sobre empresas que já enfrentam dificuldades de gestão financeira, segundo avaliação do advogado e contador Marcos Pelozato. Para ele, a transição para o novo modelo tende a evidenciar problemas relacionados ao fluxo de caixa, ao planejamento fiscal e ao controle de passivos.

O cenário ocorre em meio a 8,9 milhões de negócios inadimplentes no país e a 2.466 recuperações judiciais registradas em 2025, conforme dados atribuídos à Serasa Experian. O levantamento apontou o maior patamar da série histórica para esse tipo de processo.

Pelozato afirma que a mudança não cria, sozinha, problemas financeiros, mas pode acelerar dificuldades que já estavam em formação. Entre os riscos citados estão erros operacionais, aumento de passivos e perda de competitividade para empresas sem informações organizadas e capacidade de adaptação.

Fwd: O maior risco da reforma tributária pode não estar nos impostos

Transição exigirá mudanças na operação

A regulamentação prevê uma fase de testes do novo sistema em 2026, com necessidade de ajustes em processos, sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais e controles internos. A convivência entre as regras atuais e o novo modelo deve elevar a complexidade operacional durante o período de transição.

De acordo com a avaliação apresentada, a reforma tributária não deve ser tratada apenas como uma questão de alíquotas. A adaptação também envolve contratos, formação de preços, planejamento financeiro, aproveitamento de créditos tributários, tecnologia e governança.

Empresas com margens reduzidas são apontadas como mais vulneráveis. O especialista cita agronegócio, indústria, distribuição, transporte e serviços entre os setores que podem enfrentar desafios adicionais diante da necessidade de alterar, ao mesmo tempo, procedimentos fiscais e tecnológicos.

Planejamento pode reduzir incertezas

Na análise de Marcos Pelozato, negócios com controles financeiros deficientes, passivos tributários acumulados e baixa previsibilidade de caixa tendem a sentir mais intensamente os efeitos da transição. A reforma, nesse contexto, pode tornar mais visíveis fragilidades que já existiam nas organizações.

O especialista recomenda que as empresas revisem a estrutura tributária, organizem indicadores financeiros e avaliem os impactos do novo modelo antes que os problemas se agravem. A orientação é que a discussão envolva não apenas o setor contábil ou fiscal, mas também decisões sobre investimentos, contratos, preços e fluxo de caixa.

Informações sobre a reforma tributária do consumo estão disponíveis no portal da Receita Federal. Os dados sobre recuperações judiciais foram divulgados pela Serasa Experian.