Uma mensagem antiga voltou a circular em grupos e listas de transmissão do WhatsApp com a afirmação de que, nas eleições 2026, o eleitor teria todo o voto anulado caso escolhesse um candidato a presidente e votasse em branco ou nulo para outros cargos. A informação é falsa. Cada cargo é apurado de forma independente. Portanto, um voto válido para presidente continua válido mesmo quando o eleitor decide votar em branco, anular ou escolher candidatos diferentes nas demais etapas da urna.
A corrente tenta ganhar credibilidade dizendo ter sido escrita pelo “marido de uma amiga” que teria participado de treinamento para trabalhar como mesário. Ela também afirma que “só irão computar votos válidos os que estiverem completos” e sugere uma suposta manobra para prejudicar determinado candidato. Nenhuma dessas alegações encontra respaldo nas regras eleitorais.
O próprio texto revela que não é novo. A mensagem pede votos para a reeleição de Jair Bolsonaro, situação ligada à disputa de 2022, e agora reaparece fora do contexto original. A reciclagem de conteúdos antigos é um dos mecanismos mais comuns da desinformação: troca-se a data, elimina-se a origem e apresenta-se a narrativa como se fosse uma novidade relacionada às eleições 2026.
O caso também ajuda a responder a uma pergunta recorrente entre eleitores: pesquisa eleitoral, postagem em rede social, comentário de grupo e mensagem de WhatsApp são verdadeiros ou falsos? A resposta exige método. Não se deve acreditar ou desacreditar apenas porque o conteúdo favorece um lado político. É preciso identificar a afirmação verificável, conferir a data, localizar a fonte original e confrontar o conteúdo com documentos e dados oficiais.
Conteúdo da página
- O que diz a corrente do WhatsApp
- O que dizem as regras eleitorais
- Qual será a ordem de votação
- O que significam os números de votos brancos e nulos
- Como avaliar pesquisas eleitorais
- Como interpretar comentários nas redes sociais
- Outras publicações que circulam
- Roteiro de verificação antes de compartilhar
A corrente que fala em “voto parcial”
A mensagem analisada começa com uma fórmula conhecida: “Isso é do marido de uma amiga que vai ser mesário. Não deixe de ler”. Em seguida, diz que o autor teria recebido treinamento da Justiça Eleitoral e descoberto uma regra escondida da sociedade. O texto afirma que o cidadão precisaria votar em todos os cargos para que qualquer uma de suas escolhas fosse computada.
Esse formato usa uma fonte aparentemente próxima, mas impossível de identificar. Não há nome do suposto mesário, cidade, zona eleitoral, data do treinamento nem documento que comprove a orientação. A expressão “marido de uma amiga” cria sensação de confiança sem permitir que a informação seja checada. É uma autoridade emprestada e anônima.
Outro sinal de alerta é o apelo urgente para que o leitor repasse o conteúdo “a todos os patriotas”. Correntes enganosas costumam pedir compartilhamento imediato e apresentam a checagem como perda de tempo. O objetivo é provocar medo ou indignação antes que a pessoa consulte uma fonte confiável.
A mensagem ainda mistura uma informação correta com uma conclusão falsa. É correto lembrar que o eleitor deve prestar atenção a todos os cargos. Entretanto, não é correto afirmar que deixar um deles em branco ou anulá-lo elimina votos válidos registrados anteriormente ou depois. A urna trata cada escolha separadamente.
Nas eleições 2026, cada cargo será contado separadamente

A Justiça Eleitoral esclarece que votar em branco ou nulo para um cargo não anula o voto dado a outro. A regra está ligada à autonomia de cada votação realizada na urna. Quando o eleitor confirma um número válido, aquela escolha é registrada para o cargo exibido naquele momento. Depois, a urna segue para a etapa seguinte.
O artigo 61 da Lei nº 9.504/1997 estabelece que a urna eletrônica contabiliza cada voto, garantindo o sigilo e a fiscalização. Não existe nas normas eleitorais uma categoria chamada “voto parcial” capaz de apagar todas as escolhas do eleitor. Também não há exigência de que ele escolha candidatos em todos os cargos para validar o voto destinado à Presidência da República.
Imagine que uma pessoa escolha um candidato a deputado federal, vote em branco para deputado estadual, anule os dois votos ao Senado, escolha um candidato a governador e confirme um candidato a presidente. Na apuração, os votos para deputado federal, governador e presidente serão considerados válidos. Os brancos e nulos entrarão apenas nas estatísticas dos respectivos cargos.
O contrário também vale. Se o eleitor votar corretamente para os cargos anteriores e anular a escolha para presidente, seus votos válidos para deputado, senador e governador permanecem registrados. Não existe transferência de voto nulo ou branco para candidato, partido ou adversário. Esses votos também não são usados para completar a votação de outra pessoa.
A checagem oficial publicada pela Justiça Eleitoral para as eleições 2026 é direta: voto nulo ou em branco para outros cargos não anula voto para presidente. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo e outros tribunais regionais também divulgaram orientações sobre a ordem da votação e o funcionamento da urna.
Branco, nulo e válido não são a mesma coisa
O voto válido é aquele dado a um candidato ou, nos cargos proporcionais, a uma legenda habilitada. O voto em branco ocorre quando o eleitor pressiona a tecla “Branco” e confirma. O voto nulo acontece quando é digitado um número que não corresponde a candidato ou legenda e a opção é confirmada após o aviso da urna.
Para o cálculo do resultado eleitoral, são considerados os votos válidos. Brancos e nulos não são atribuídos a nenhum concorrente. Isso não significa, porém, que um branco ou nulo em determinado cargo invalide toda a participação do eleitor naquele dia. Significa somente que, naquele cargo, não houve voto válido para candidato ou legenda.
Ordem dos votos nas eleições 2026

No primeiro turno das eleições 2026, marcado para 4 de outubro, o eleitor passará por seis etapas na urna. A sequência prevista é: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeira escolha para senador, segunda escolha para senador, governador e presidente da República.
- Deputado federal;
- Deputado estadual ou deputado distrital;
- Senador — primeira vaga;
- Senador — segunda vaga;
- Governador;
- Presidente da República.
Em 2026, serão escolhidos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal. Por isso, haverá duas telas para o Senado. O eleitor deve escolher dois candidatos diferentes. Se repetir o mesmo número nas duas etapas, o segundo voto não será aceito como uma nova escolha para o mesmo candidato.
Levar uma “colinha” de papel com os números na ordem correta é uma medida recomendada pela Justiça Eleitoral. O recurso reduz erros, evita esquecimentos e torna a votação mais rápida. O celular não pode ser levado até a cabine de votação, razão pela qual a anotação deve ser feita em papel.
Antes de confirmar, o eleitor deve conferir fotografia, nome, número, partido e cargo apresentados na tela. Caso tenha digitado incorretamente, pode pressionar “Corrige” e recomeçar aquela etapa. A atenção vale mais do que a pressa, especialmente porque haverá seis escolhas no primeiro turno.
A alegação dos “mais de 12 milhões de votos inválidos”
A corrente afirma que “mais de 12 milhões de votos foram inválidos nas eleições passadas”, mas usa o número sem explicar a qual turno, cargo ou soma se refere. Estatísticas sem contexto podem parecer provas, embora não demonstrem a conclusão apresentada.
Na eleição presidencial de 2022, o primeiro turno teve 118.229.719 votos válidos, 1.964.779 votos em branco e 3.487.874 votos nulos. No segundo turno, foram 118.552.353 votos válidos, 1.769.678 brancos e 3.930.765 nulos. Somados os brancos e nulos dos dois turnos, chega-se a aproximadamente 11,15 milhões de registros.
Esses dados não representam eleitores que tiveram todos os votos anulados por não preencherem a urna “completa”. São totais específicos da eleição presidencial em cada turno. Uma mesma pessoa pode ter votado em branco ou nulo no primeiro turno e novamente no segundo, portanto nem sequer se pode transformar automaticamente a soma em uma quantidade de indivíduos distintos.
Também seria inadequado juntar estatísticas de diferentes cargos e tratá-las como se fossem votos integrais cancelados. Um cidadão pode anular para deputado e votar validamente para presidente. Nesse caso, haverá um registro nulo em uma disputa e um voto válido em outra. Misturar os dois números apaga justamente a independência que existe entre os cargos.
A apresentação de um número grande, desacompanhado de fonte e metodologia, é uma técnica persuasiva frequente. O leitor deve perguntar: de qual eleição o dado veio? Refere-se a pessoas, votos, cargos ou turnos? Qual órgão produziu a estatística? O número confirma realmente a conclusão ou foi apenas colocado ao lado dela?
Pesquisa eleitoral: até onde acreditar?
Pesquisas eleitorais não são previsões infalíveis nem opiniões aleatórias. Elas são retratos estatísticos de um momento, produzidos com uma amostra da população e uma metodologia declarada. Quando realizadas e divulgadas de acordo com as regras, ajudam a compreender tendências, mas precisam ser lidas com margem de erro, data de coleta e recorte geográfico.
Nas eleições 2026, o primeiro cuidado é verificar se a pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral. A divulgação deve informar o número de registro, o instituto responsável, quem contratou, quem pagou, quantidade de entrevistados, período das entrevistas, abrangência, nível de confiança e margem de erro. Um print que mostra apenas percentuais não oferece elementos suficientes.
A data do trabalho de campo é essencial. Uma pesquisa publicada hoje pode ter ouvido eleitores vários dias antes de um debate, anúncio econômico, decisão judicial ou fato político relevante. O resultado mostra as respostas coletadas naquele intervalo, não necessariamente o humor do eleitor no instante em que a postagem aparece.
A margem de erro também não deve ser usada como selo automático de empate. Se um levantamento apresenta margem de dois pontos percentuais, a estimativa de cada candidato pode variar dentro do intervalo informado. A leitura correta depende da diferença observada, do nível de confiança e da metodologia. Comparações entre institutos distintos exigem cuidado adicional, porque amostras e modos de entrevista podem variar.
Outra distinção importante é entre pesquisa estimulada e espontânea. Na espontânea, o entrevistado responde sem receber uma lista de candidatos. Na estimulada, escolhe entre nomes apresentados. Os dois resultados medem situações diferentes e não devem ser misturados em um mesmo gráfico como se fossem equivalentes.
Uma única pesquisa não conta toda a história. Para avaliar tendências, é mais seguro observar uma sequência de levantamentos, preferencialmente do mesmo instituto, além das datas e dos intervalos de confiança. Oscilações pequenas podem refletir a própria margem de erro, enquanto movimentos persistentes em diferentes levantamentos merecem atenção.
Também é preciso separar crítica metodológica de rejeição política. Concordar com o resultado não torna uma pesquisa verdadeira; discordar não a transforma em fraude. A análise deve passar por registro, transparência, método e coerência. Acusações exigem evidências, e não apenas a insatisfação de candidatos ou apoiadores.
Comentários nas redes e no WhatsApp são dados, mas não representam todo o eleitorado
As manifestações reunidas para esta reportagem mostram um ambiente de forte desconfiança. Há pessoas perguntando “verdades ou mentiras, todos falam, mas quem está falando a verdade?”, usuários associando medidas sociais a compra de votos, críticas ao governo federal e publicações que atribuem conquistas trabalhistas exclusivamente a um campo ideológico.
Esses comentários são relevantes para compreender dúvidas, emoções e narrativas em circulação. Eles não podem, contudo, ser tratados como pesquisa representativa. Grupos de WhatsApp reúnem pessoas por laços familiares, religiosos, profissionais ou políticos. Os participantes não são selecionados por uma amostra científica e os mais ativos podem dominar a conversa.
O mesmo ocorre nas redes sociais. Algoritmos recomendam conteúdos com base em interesse e engajamento. Uma publicação vista muitas vezes no celular de alguém pode ser quase invisível para pessoas de outro grupo. Curtidas e compartilhamentos indicam circulação dentro daquele ambiente, mas não demonstram que a maioria da cidade, do estado ou do país concorda com a mensagem.
Comentários agressivos, como os que xingam eleitores de um partido ou chamam adversários de “burros”, aumentam a temperatura da conversa, mas não fornecem prova sobre corrupção, legalidade de programas públicos ou intenção de voto. A linguagem ofensiva pode gerar reação e alcance justamente por mobilizar emoções. Para o jornalismo, ela é um sinal do clima do debate, não uma fonte conclusiva sobre os fatos.
O WhatsApp apresenta um desafio adicional: o conteúdo circula em espaços fechados e frequentemente perde a identificação de quem o criou. A mensagem pode passar por dezenas de encaminhamentos, ganhar uma introdução nova e reaparecer anos depois. Quando a plataforma sinaliza que algo foi “encaminhado muitas vezes”, o aviso deve aumentar a cautela.
Nas eleições 2026, a pergunta mais útil não é apenas “quem enviou?”, mas “qual evidência sustenta isto?”. Uma pessoa conhecida também pode compartilhar algo falso de boa-fé. Confiança pessoal não substitui fonte documental. Antes de repassar, vale buscar a afirmação central em portais oficiais, veículos profissionais e serviços de checagem.
Outras alegações que exigem contexto e comprovação
Aumento de benefício social durante o período eleitoral é automaticamente corrupção?
Uma das mensagens apresentadas reage com indignação a uma imagem sobre suposto reajuste do Bolsa Família próximo ao primeiro turno. O print menciona uma manchete atribuída ao UOL e faz comparação com medidas adotadas em 2022. Sozinha, a captura de tela não permite determinar data, contexto, texto integral nem quais regras legais foram analisadas.
A criação ou ampliação de benefícios em ano eleitoral pode ser objeto de questionamento político e jurídico, mas não se torna automaticamente corrupção apenas por ocorrer perto da campanha. É necessário verificar qual medida foi tomada, sua base legal, previsão orçamentária, alcance, continuidade de política pública e eventual decisão da Justiça Eleitoral ou de órgãos de controle.
Corrupção é uma acusação grave e precisa ser apoiada em fatos e enquadramento jurídico, não em proximidade de datas. Também é legítimo discutir se determinada decisão tem objetivo eleitoral, se é sustentável e quais prioridades orçamentárias foram escolhidas. O debate ganha qualidade quando separa crítica política, possível conduta vedada, improbidade, crime e corrupção, que não são expressões intercambiáveis.
Publicações sobre STF, Planalto e Alexandre de Moraes
Outra manifestação cita reportagens do Poder360 sobre uma possível articulação envolvendo o Planalto, aliados do governo e uma ala do Supremo Tribunal Federal para adiar definições relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Nesse tipo de conteúdo, o leitor deve abrir a reportagem original e observar quais informações são atribuídas a fontes, quais são fatos documentados e quais são análises ou cenários.
Uma articulação política relatada por jornalistas não equivale, por si só, a uma decisão formal. É preciso acompanhar atos públicos, pautas, votos, despachos e manifestações oficiais. Também se deve evitar que um resumo feito por terceiros amplie o alcance da notícia e transforme possibilidade, interesse ou conversa de bastidor em fato consumado.
A proximidade das eleições 2026 aumenta o impacto político de decisões institucionais, mas não autoriza concluir que todo adiamento tenha finalidade eleitoral. A comprovação depende de documentos, declarações identificadas e sequência dos acontecimentos. O papel da reportagem é apresentar o que está confirmado e indicar claramente o que ainda é interpretação.
As conquistas trabalhistas e fim da escala 6×1

Uma publicação atribuída ao perfil de Wesley Sousa lista férias remuneradas, salário mínimo, 13º salário, aposentadoria, FGTS e o “fim da escala 6×1” como conquistas da esquerda e do movimento sindical. A postagem expressa uma posição política e reúne processos históricos diferentes em uma narrativa resumida.
Direitos trabalhistas foram construídos ao longo de períodos distintos, por meio de leis, mobilizações sociais, sindicatos, governos, parlamentos e disputas institucionais. Atribuir cada mudança exclusivamente a um único ator simplifica uma história complexa. Além disso, uma proposta debatida não deve ser apresentada como direito já plenamente vigente sem a aprovação e promulgação correspondentes.
No caso da escala 6×1, o leitor deve conferir a situação legislativa atual: existência de proposta, etapa de tramitação, texto discutido, votações realizadas e regras efetivamente em vigor. Uma arte política pode defender uma mudança futura, mas a data “2026” ao lado de “fim” não substitui a legislação publicada.
Montagens, capas e sátiras
Também foi compartilhada uma imagem que imita uma capa da revista francesa Charlie Hebdo e usa uma frase ofensiva sobre o Supremo brasileiro. Imagens desse tipo podem ser sátiras autênticas, capas antigas, montagens ou peças que reutilizam elementos visuais de uma publicação conhecida. O logotipo no alto não basta para comprovar autoria.
A verificação deve procurar a edição original nos canais da revista, observar data, número, idioma, qualidade gráfica e correspondência com os arquivos publicados. Mesmo quando uma charge é verdadeira, ela representa opinião satírica e não confirmação factual das acusações sugeridas pelo desenho.
Como verificar uma informação sobre as eleições 2026
O primeiro passo é interromper o impulso de compartilhar. Conteúdos falsos dependem da velocidade e costumam explorar medo, raiva ou sensação de exclusividade. Se a mensagem diz que “a imprensa não mostra”, “estão escondendo” ou “repasse antes que apaguem”, há motivo adicional para cautela.
- Identifique a afirmação principal: transforme o texto em uma pergunta objetiva. Exemplo: votar em branco para deputado anula meu voto para presidente?
- Confira a data: veja se a notícia pertence à eleição atual ou foi reciclada de 2018, 2022 ou outro período.
- Procure a fonte original: não se limite ao print. Busque a página, o documento, o vídeo completo ou a declaração integral.
- Consulte fontes responsáveis: para regras de votação, procure Justiça Eleitoral, TSE e TREs; para leis, consulte textos oficiais e atos publicados.
- Separe fato de opinião: frases como “isso é compra de votos” ou “querem prejudicar meu candidato” são interpretações que precisam de evidências.
- Compare veículos: verifique se outros meios profissionais confirmam o acontecimento e se apresentam documentos ou pessoas identificadas.
- Observe correções: notícias podem ser atualizadas. Leia a versão mais recente e procure notas de correção ou esclarecimento.
Quando a dúvida envolver a votação, o eleitor pode consultar o portal Fato ou Boato da Justiça Eleitoral. A orientação sobre a sequência dos cargos também está disponível no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo.
Outra checagem útil foi publicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, esclarecendo que a urna eletrônica não anula votos por conta própria. O equipamento registra as escolhas confirmadas pelo eleitor em cada cargo.
Em quem votar?
A pergunta “em quem votar?” não deve ser respondida por uma corrente anônima, por um único levantamento ou pelo comentário mais agressivo de uma rede social. A decisão pertence ao eleitor. Para fazê-la com consciência, é possível comparar propostas, histórico, atuação pública, patrimônio declarado, alianças, posicionamentos e capacidade de cumprir aquilo que promete.
Também é importante distinguir denúncias documentadas de acusações sem prova. Processos, condenações, absolvições, investigações e decisões judiciais têm significados diferentes. O eleitor deve buscar documentos e reportagens que expliquem essas diferenças, em vez de decidir com base apenas em frases recortadas.
Planos de governo ajudam, mas não devem ser lidos isoladamente. O cidadão pode verificar se a proposta depende do Executivo, do Congresso, dos estados ou dos municípios; quanto custaria; de onde viriam os recursos; e se existe coerência entre o discurso atual e a atuação anterior do candidato.
Conversar com pessoas que pensam diferente também pode revelar pontos cegos. O objetivo não precisa ser converter o outro, mas entender quais fatos sustentam cada posição. Perguntas honestas — “qual é a fonte?”, “isso já foi aprovado?”, “qual é a data?” — são mais produtivas do que insultos.
Conclusão: a urna não cancela escolhas válidas por causa de outros cargos
A corrente sobre “voto parcial” é falsa. Nas eleições 2026, cada cargo será registrado e apurado separadamente. Votar em branco ou nulo para deputado, senador ou governador não anula um voto válido para presidente. Da mesma forma, anular para presidente não apaga as escolhas válidas feitas nos cargos anteriores.
O texto que voltou ao WhatsApp é antigo, carrega referência explícita à reeleição de Bolsonaro em 2022 e usa uma fonte anônima para inventar uma orientação que a Justiça Eleitoral já desmentiu. Os números de brancos e nulos de eleições passadas não demonstram cancelamento de votos “incompletos”.
Pesquisas eleitorais, reportagens, comentários, memes e mensagens podem contribuir para o debate, mas cada formato exige leitura adequada. Pesquisa precisa de registro e metodologia; reportagem deve separar fato e apuração; comentário expressa percepção; meme e sátira não funcionam como documentos; corrente anônima deve ser verificada antes de qualquer repasse.
Em um período de polarização, a melhor proteção não é acreditar automaticamente no conteúdo que confirma nossas preferências. É aplicar o mesmo padrão de verificação a mensagens favoráveis e contrárias ao candidato de nossa escolha. Essa disciplina reduz a desinformação e fortalece a liberdade do voto.
O Castilho Notícias continuará acompanhando informações de interesse público relacionadas às eleições 2026, com atenção às regras, aos dados oficiais e às alegações que circulam nas redes sociais e nos grupos de mensagens.


